domingo, 23 agosto, 2026
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Companhia aérea vai usar IA para lucrar mais, revela CEO

Executivo da Delta quer que tecnologia ajude a decidir faixas de tarifas. Empresa já falou em definir preços individualmente para cada passageiro.

Ed Bastian, CEO da Delta Air Lines, afirmou que a empresa pretende usar inteligência artificial para “tomar decisões melhores com relação ao faturamento” e aos preços dos bilhetes. Aliadas a reduções de custos, ele estima que isso poderia levar a empresa a passar de 10% para 15% de margem de lucro, um crescimento de 50%.

Não é a primeira vez que a Delta menciona que poderá usar IA para definir quanto vai cobrar por passagem. Em 2025, a companhia disse a investidores ter planos para estipular preços de maneira individual. A repercussão negativa e a pressão de parlamentares nos Estados Unidos levaram a empresa a recuar.

Quais são os planos da Delta para a IA?

Em participação no podcast Airlines Confidential, Bastian declarou: “Do lado das receitas, (…) você pode tomar decisões melhores com relação ao faturamento, em como você gerencia diferentes faixas de tarifas”. O executivo explica que, atualmente, as tecnologias se baseiam em dados históricos. Ele acredita que a IA pode fornecer dados preditivos, olhando para o futuro, e tornar o processo mais eficiente.

Aqui, valem algumas explicações sobre esse processo. As companhias aéreas trabalham com diferentes faixas tarifárias em uma mesma classe de um mesmo voo. Elas dividem os assentos em vendas antecipadas, compras de última hora, pacotes corporativos, viagens a negócios e trocas de milhas, entre outros.

Os preços e a quantidade de assentos são definidos com auxílio de dados e previsões de mercado. A intenção é conseguir a melhor receita possível.

Se a empresa cobrar barato demais ou oferecer muitos assentos para as vendas antecipadas, ela pode deixar de ganhar mais dinheiro, já que havia passageiros dispostos a pagar mais. Se cobrar caro demais ou limitar promoções, ela pode voar com muitos assentos vazios, o que também significa uma oportunidade perdida.

As passagens da Delta vão ficar mais caras?

A ideia da Delta, então, é usar IA para processar mais dados de forma preditiva e melhorar a eficiência da decisão sobre preços e assentos. Na teoria, usar IA para ajustar as tarifas não necessariamente significa cobrar mais caro em todos os voos. Alguns podem ter passagens mais baratas, caso haja uma previsão de baixa demanda.

Na prática, pode não ser bem assim. Em uma entrevista de 2016 para a CNN, Sebastian Mikosz, ex-CEO da LOT Polish Airlines, explica que, muitas vezes, as empresas preferem voar com um assento vazio do que dar um desconto para ocupá-lo.

Por quê? Porque dar descontos pode quebrar o sistema de precificação. Se as empresas sempre vendessem de última hora a um valor baixo, isso mudaria o comportamento dos passageiros, que passariam a esperar para comprar em uma data mais próxima, diminuindo a receita.

Além disso, assentos vazios são necessários para realocar clientes de voos com overbooking ou acomodar passageiros que perderam conexões por atrasos ou cancelamentos. No fim, vale mais a pena manter alguns lugares disponíveis para resolver essas situações e também para cobrar mais caro de quem, por uma questão de necessidade, precisa viajar de última hora.

Com informações do View from the Wing

Por: Giovanni Santa Rosa

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