sexta-feira, 21 agosto, 2026
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Brasil investe R$ 2,3 bilhões para turbinar infraestrutura nacional de IA

Governo Federal dividirá recursos entre empresas dos EUA e China. Investimento prevê um supercomputador com 7,2 mil Petaflops de capacidade.

O Governo Federal anunciou um investimento de R$ 2,3 bilhões para o desenvolvimento de uma infraestrutura nacional de inteligência artificial. A iniciativa integra uma nova fase do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e foi apresentada em cerimônia no Rio Grande do Norte, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A estratégia prevê recursos em projetos separados envolvendo empresas dos Estados Unidos e da China. Segundo a nota do governo divulgada nessa quinta-feira (20/08), o objetivo é garantir a soberania nacional sobre os dados brasileiros gerados por serviços públicos e privados, evitando a dependência de uma única empresa, país ou tecnologia.

O PBIA prevê R$ 23 bilhões em aportes. Os recursos para essa nova infraestrutura serão financiados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), de maneira parcelada ao longo dos próximos anos.

Aporte bilionário será dividido

A execução da estratégia foi dividida pelo governo em “rotas”. Pouco mais da metade do montante, cerca de R$ 1,3 bilhão, será direcionado a um projeto de supercomputação no Rio de Janeiro, desenvolvido em parceria com as companhias chinesas Huawei e iFlytek ao longo de cinco anos.

A estrutura deve começar a operar em julho de 2027 e terá como foco o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem (LLMs), aplicações de inteligência artificial para setores específicos da indústria e a capacitação de cerca de 3 mil profissionais.

Em outro segmento, o Governo Federal destinará R$ 1 bilhão, por edital de licitação, para a aquisição de um supercomputador que deve aparecer entre as dez máquinas de processamento de IA mais poderosas do mundo. A instalação será no Parque Tecnológico Augusto Severo (PAX), no município de Macaíba (RN). A gestão ficará a cargo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

A estimativa é que o processo licitatório dure entre três e seis meses. Segundo a agência Reuters, autoridades avaliam que a norte-americana Nvidia é a empresa com maiores chances de vencer a disputa. Se não houver contestações jurídicas, a previsão é que o supercomputador entre em operação em 12 a 18 meses.

Supercomputador 20 vezes mais potente

Imagem mostra o supercomputador Santos Dumont
Supercomputador brasileiro Santos Dumont possui 27 Petaflops de capacidade (imagem: reprodução/LNCC)

O equipamento adquirido para o Rio Grande do Norte terá capacidade de processamento de 7,2 mil Petaflops. Trata-se de um salto de quase 20 vezes na comparação com o Santos Dumont — atual supercomputador brasileiro localizado no LNCC de Petrópolis (RJ), que entrega cerca de 27 Petaflops.

Na prática, essa diferença resulta em um ganho drástico de tempo. A nova máquina será capaz de treinar um modelo de linguagem de grande escala, similar ao GPT-4, em apenas um mês. Para realizar a mesma tarefa, o supercomputador fluminense levaria de dois a três anos. A infraestrutura ficará disponível para uso governamental, além de empresas, universidades e instituições de pesquisa científica.

O que mais o pacote de IA inclui?

O plano prevê ainda uma terceira rota focada no longo prazo: uma cooperação com a Espanha voltada para a arquitetura de código aberto RISC-V. Com implementação estimada em até 15 anos, o projeto procura transformar o Brasil em um produtor de semicondutores e componentes críticos.

A estratégia governamental engloba ainda planos para um serviço nacional de computação em nuvem e o armazenamento de dados totalmente em território nacional. Para garantir a segurança e a ética dessas tecnologias, foi anunciada também a criação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável.

Operado pelo Centro de Pesquisa Aplicada em IA da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o novo órgão terá a missão de auditar sistemas, avaliar riscos, minimizar vieses e criar metodologias de transparência. O núcleo também apoiará a implementação de políticas públicas, como o ECA Digital, mas não substituirá as autoridades competentes na fiscalização e aplicação de sanções legais.

Por: Gabriel Sérvio

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