Incertezas econômicas e eleitorais reduzem planos de contratação e investimentos dos empresários, aponta CNC
Os empresários do comércio chegam ao último trimestre do ano com menos planos de expansão e contratação. A confiança do setor caiu 2,7% em outubro, em meio às incertezas do período eleitoral, segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Essa foi a quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com o resultado, o indicador recuou para 96,7 pontos, abaixo do nível de neutralidade e no menor patamar desde maio de 2021, quando marcou 94,5 pontos.
“O comércio acende um alerta para todo o País ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisa José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.
A retração impactou a preparação para as vendas de fim de ano. A intenção de contratação de funcionários caiu 2,8% no mês, sendo o principal componente da queda no subíndice de investimentos, que recuou 2,4% em outubro, para 98,9 pontos. Na comparação anual, as intenções de investimento apresentaram queda de 1,8%.
As incertezas sobre a economia brasileira, somadas às dúvidas nos âmbitos fiscal e monetário, afetaram os indicadores. Os investimentos na própria empresa também recuaram 2,7% em relação ao mês anterior e 4,4% na comparação anual.
“Para aproveitarmos essas datas comerciais e gerar crescimento sustentável, é preciso previsibilidade e segurança jurídica, além de políticas monetárias que reduzam os custos das operações do setor. O comércio quer expandir e gerar postos de trabalho, mas precisa de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”, reforça Tadros.
Avaliações negativas do presente
O pessimismo dos empresários se concentra, sobretudo, nas condições atuais. O subíndice que mede essa percepção caiu pelo sexto mês consecutivo, com retração de 5,5%, e atingiu 68,2 pontos, o menor nível da pesquisa.
Em outubro, 78,2% dos empresários afirmaram observar uma piora nas condições atuais da economia, o maior percentual de pessimismo desde maio de 2021. As avaliações sobre o setor de atuação e a própria empresa também registraram quedas expressivas na comparação mensal, de 6,1% e 4,5%, respectivamente.
O impacto foi particularmente intenso no segmento de bens semiduráveis, que inclui roupas, calçados, tecidos e acessórios e tradicionalmente ganha relevância no último trimestre do ano. O setor foi o mais afetado pela avaliação dos empresários sobre as condições econômicas atuais, com queda de 5,4% na confiança em relação a setembro e de 3,3% na comparação anual.
Segundo a análise da pesquisa, esse movimento foi influenciado pelo fim do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecido como “Taxa das Blusinhas”, que teria favorecido o comércio exterior em detrimento do mercado interno.
Dados da Receita Federal citados no documento mostram que as remessas internacionais declaradas passaram de 14,4 milhões no ano anterior para 25,7 milhões em setembro. O volume representa um avanço de 78,7%, enquanto o valor movimentado cresceu 84,3%, chegando a US$ 523,2 milhões. Os números indicam a permanência da pressão da concorrência internacional sobre os lojistas brasileiros.
No campo das expectativas de curto prazo, 58,1% dos empresários ainda projetam uma melhora econômica. Apesar disso, o indicador caiu pelo segundo mês consecutivo. O subíndice geral de expectativas recuou 1,3% em outubro e 1,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Por: Mercado & Consumo


