sábado, 17 outubro, 2026
HomeECONOMIACompras internacionais abaixo de US$ 50 sobem 82% após fim da “taxa...

Compras internacionais abaixo de US$ 50 sobem 82% após fim da “taxa das blusinhas”

BTG diz que retomada do cross-border após retirada do imposto federal se sustenta e vê moda entre os segmentos mais expostos

As compras internacionais de até US$ 50 cresceram 82% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, após o fim do Imposto de Importação federal de 20% que ficou conhecido como “taxa das blusinhas”. Foram 25,2 milhões de encomendas no mês, enquanto o valor importado chegou a R$ 2,37 bilhões, alta de 87% na mesma comparação, segundo relatório do BTG Pactual com base em dados da Receita Federal.

A base de comparação ajuda a dimensionar o avanço. Em setembro de 2025, a cobrança federal de 20% ainda estava em vigor. Ela havia começado em agosto de 2024 para compras de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas em plataformas participantes do Remessa Conforme. A alíquota foi zerada em 12 de maio de 2026, quando entrou em vigor a Medida Provisória 1.357. A medida foi posteriormente aprovada pelo Congresso e convertida na Lei 15.502, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 10 de setembro.

Ou seja: o imposto federal deixou efetivamente de ser cobrado em maio, e a sanção de setembro tornou permanente a mudança introduzida pela medida provisória. A retirada da chamada “taxa das blusinhas”, porém, não significa ausência de tributação. O ICMS continua incidindo sobre as remessas internacionais e atualmente varia entre 17% e 20%, dependendo do Estado.

O banco usa abril de 2026 como referência justamente por esse motivo: foi o último mês completo antes de a alíquota federal ser zerada em 12 de maio. Entre abril e setembro, o volume de encomendas de até US$ 50 aumentou 61%, enquanto o valor importado avançou 62%.

Para os analistas, os dados indicam que o salto inicial observado após a mudança tributária não foi apenas pontual. Depois da aceleração de junho, a atividade cross-border permaneceu em patamar elevado durante quatro meses consecutivos, sem uma reversão significativa em relação aos níveis anteriores à retirada do imposto federal.

“Uma tributação menor sustentou uma recuperação duradoura das compras internacionais”, afirmam os analistas, em tradução livre.

Moda volta ao centro da disputa

O BTG chama atenção especialmente para os efeitos competitivos sobre o varejo de moda. Segundo o relatório, a diferença de preço da Shein em relação à cesta média dos varejistas brasileiros listados em Bolsa aumentou para 44% em agosto, ante 34% em junho.

Apesar da pressão, o banco avalia que os varejistas nacionais estão hoje mais preparados para enfrentar a concorrência internacional do que em ciclos anteriores. Desde a implementação do Remessa Conforme, as empresas fortaleceram operações logísticas, aumentaram a competitividade de preços, ampliaram a presença no e-commerce, reduziram prazos de entrega e aprimoraram suas propostas de valor.

“Os varejistas brasileiros estão mais bem posicionados para competir do que em anos anteriores”, avaliam os analistas.

Apesar de entender que as maiores redes de varejo de moda local estão mais competitivas, o banco considera a forte retomada das importações um sinal negativo para o setor, principalmente para vestuário e outras categorias discricionárias, nas quais a concorrência de Shein, Shopee e AliExpress continua intensa.

Por: Bruna Lencioni

RECOMENDADOS

MAIS POPULAR