sábado, 25 abril, 2026
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Cabo Verde inaugura TechPark com ambição de se tornar hub tecnológico do Atlântico

Evento de dois dias reuniu autoridades locais e internacionais e marcou a abertura oficial do parque tecnológico de 50 milhões de euros, voltado para inovação, formação de talentos e atração de empresas globais

Entre os dias 5 e 6 de maio de 2025, Cabo Verde celebrou a inauguração oficial do seu Parque Tecnológico, o TechPark. A iniciativa tem dois polos: o Achada Grande Frente, na Cidade da Praia e o polo de Mindelo, na ilha de São Vicente. Com um investimento robusto de 50 milhões de euros, a estrutura simboliza a ambição do país de se consolidar como um hub de inovação e tecnologia no Atlântico, conectando África, Europa e América Latina.

O evento contou com a presença de representantes internacionais, empresários, diplomatas e autoridades do governo cabo-verdiano, incluindo o Primeiro-Ministro Ulisses Correia e Silva, que destacou o papel estratégico do TechPark no reposicionamento econômico do país:
“Queremos fazer de Cabo Verde uma plataforma digital em África, promovendo a economia digital, a governação digital, o empreendedorismo tecnológico e a inclusão digital. O TechPark é uma infraestrutura que nos posiciona para essa nova economia baseada em conhecimento e inovação.”

Estrutura do TechPark de Cabo Verde

O TechPark está equipado com centros de dados, laboratórios de inovação, espaços de coworking e centros de formação tecnológica, incluindo a parceria com a Cisco Networking Academy. Ao todo, o TechPark tem capacidade para receber 1.000 profissionais para trabalhar ou acompanhar os eventos que ocorrerão no local. O CEO do Parque Tecnológico, Carlos Monteiro, reforçou a vocação internacional da iniciativa. “Já temos empresas instaladas e mais de 50% do espaço reservado. O Parque não serve apenas a Cabo Verde, mas está preparado para acolher empresas de todo o mundo, especialmente da Europa, do Brasil e de outros países africanos”, diz.

Essa visão foi reiterada por Pedro Lopes, Secretário de Estado da Economia Digital, que vê o TechPark como um catalisador de transformação. “O objetivo do parque não é servir um pequeno país como Cabo Verde. Temos a ambição de nos tornarmos um hub do Atlântico. Este é um parque tecnológico para acolher centros de treinos, formar jovens e atrair empresas internacionais. Já temos mais de sete países aqui representados. Esta é uma mensagem de Cabo Verde para o mundo: um pequeno país pode ser relevante através da tecnologia.”

Além da infraestrutura moderna e conectada, o TechPark já começa a gerar impactos concretos. Durante a inauguração, foi anunciado o lançamento de novos programas de capacitação tecnológica, que vão beneficiar centenas de jovens cabo-verdianos nos próximos meses. O foco será o desenvolvimento de competências digitais em áreas como programação, ciência de dados, cibersegurança e inteligência artificial. A estratégia, segundo os organizadores, é criar uma ponte entre a formação técnica e as necessidades do mercado global.

Outro ponto destacado durante o evento foi a criação de sinergias entre países lusófonos. A comitiva brasileira, composta por especialistas em inovação e representantes de empresas de tecnologia, sinalizou interesse em parcerias com o parque. Para Carlos Miguel Monteiro, essa colaboração é estratégica. “Temos uma ligação histórica com o Brasil, e agora queremos que essa relação se fortaleça por meio da tecnologia. Cabo Verde pode ser a porta de entrada de empresas brasileiras na África e, ao mesmo tempo, uma plataforma de exportação de talentos e soluções digitais.”

A presença internacional no evento também reforçou o potencial geoestratégico da ilha. Akinwumi Adesina, presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, que financiou parte do projeto, destacou o papel do parque na transformação digital do continente: “O TechPark é uma alavanca para a industrialização digital de África. Este é o tipo de investimento que muda economias e empodera juventudes. É aqui que surgirão as próximas startups africanas com impacto global.”

Com uma localização privilegiada no Atlântico, estabilidade política e crescente conectividade digital, Cabo Verde aposta que o TechPark se tornará um polo atrativo para empresas que buscam internacionalização com base em inovação. Com vocação voltada tanto à atração de investimentos quanto à capacitação de talentos locais, o TechPark nasce como um símbolo da nova Cabo Verde: conectada, ambiciosa e preparada para competir no cenário global da tecnologia e inovação.

Por: Marystela Barbosa

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