Segundo especialistas, quem procura sempre o último modelo não está necessariamente querendo se exibir; pode ser que elas estejam em busca de algo além da tecnologia
Todos os anos, as fabricantes de smartphones lançam processadores mais rápidos, câmeras melhores, telas mais brilhantes e novos recursos de inteligência artificial. Enquanto muitos usam o mesmo aparelho por quatro ou cinco anos, outros enfrentam filas no dia do lançamento ou fazem a pré-venda assim que um novo modelo é anunciado.
Para alguns observadores, esse hábito pode parecer um grande desperdício, motivado puramente pelo desejo de status. Há também que julgue essas pessoas por considerá-las materialistas e superficiais. A psicologia sugere que a realidade é mais complexa, diz o The Economic Times.
As pessoas diferem quanto ao grau de interesse por novidades, tecnologia e novas experiências. Para alguns, comprar o celular mais recente tem menos a ver com impressionar os outros e mais com curiosidade, identidade pessoal e a empolgação de explorar algo novo.
É claro que nem todos fazem a troca pelo mesmo motivo. Algumas pessoas precisam de dispositivos mais modernos para trabalho, fotografia, jogos ou compatibilidade de software. No entanto, várias teorias psicológicas bem estabelecidas ajudam a explicar por que muitas pessoas se sentem naturalmente atraídas pela tecnologia de ponta.
Algumas pessoas são “viciadas” em novidades
Uma das explicações mais fortes vem da “Busca por Novidades”, um traço de personalidade estudado pelo psiquiatra C. Robert Cloninger. Pessoas com esse perfil gostam de explorar novas experiências, produtos e ideias. Para elas, comprar um celular novo não se resume a possuir mais um aparelho. Trata-se de descobrir novos recursos, experimentar a tecnologia e vivenciar algo diferente. Imagine alguém que testa com entusiasmo novas ferramentas de IA, modos de câmera e recursos de produtividade. A empolgação vem da própria exploração.
Novas compras proporcionam um impulso emocional temporário
Outra explicação vem da “Adaptação Hedônica”. Psicólogos constataram que as pessoas se acostumam rapidamente às melhorias em suas vidas. A empolgação com um smartphone novinho em folha diminui gradualmente à medida que ele passa a fazer parte da rotina diária. Quando outro modelo é lançado com recursos aprimorados, o ciclo de empolgação recomeça. Isso não significa que as pessoas sejam superficiais; reflete uma tendência psicológica normal de buscar se adaptar a mudanças positivas ao longo do tempo.
Smartphones podem se tornar parte da identidade pessoal
Outra teoria útil é a “Teoria do Eu Estendido” (Extended Self Theory), desenvolvida pelo psicólogo do consumidor Russell Belk. A teoria sugere que as pessoas frequentemente veem posses significativas como extensões de quem elas são. Para alguns indivíduos, o smartphone não é apenas um dispositivo de comunicação. Ele representa criatividade, inovação, produtividade ou uma paixão pela tecnologia. Alguém que trabalha com criação de conteúdo, fotografia ou desenvolvimento de aplicativos pode ver o dispositivo mais recente como parte tanto de seu estilo de vida quanto de sua identidade.
A tecnologia ajuda as pessoas a se expressarem
Psicólogos que estudam a autoexpressão descobriram que as pessoas usam produtos para comunicar aspectos de sua personalidade. Algumas personalizam seus celulares com capas, papéis de parede e acessórios exclusivos. Outras gostam de possuir dispositivos de última geração porque se identificam como early adopters (pioneiros na adoção de tecnologia) ou entusiastas de tecnologia. Assim como roupas ou carros podem expressar identidade, os smartphones também podem se tornar parte da forma como as pessoas se apresentam.
Algumas pessoas sofrem de FOMO
Outra explicação envolve o medo de ficar de fora (conhecido como FOMO, ou Fear of Missing Out). Pesquisas mostram que alguns indivíduos sentem desconforto quando acreditam que outras pessoas estão aproveitando experiências que eles estão perdendo. Quando amigos começam a usar novos recursos de IA, câmeras melhores ou ferramentas de produtividade aprimoradas, algumas pessoas se sentem motivadas a atualizar seus aparelhos para não se sentirem deixadas para trás. A motivação nem sempre é o status social. Às vezes, é simplesmente o desejo de se manter atualizado com uma tecnologia que muda rapidamente.
A curiosidade incentiva a exploração
Psicólogos também descrevem a “Abertura à Experiência”, um dos cinco grandes traços de personalidade (conhecidos como Big Five). Pessoas com alta pontuação em abertura tendem a gostar de aprendizado, criatividade, inovação e experimentação. Experimentar o smartphone mais recente muitas vezes se encaixa naturalmente nesse traço de personalidade. O atrativo reside em descobrir o que a tecnologia pode fazer, e não apenas em possuir um dispositivo caro.
Por: Marisa Adán Gil


