quinta-feira, 23 abril, 2026
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Wakanda da vida real: cidade futurista do cantor Akon fracassa e vira resort de R$ 6,4 bilhões no Senegal

Maior parte do terreno anteriormente reservado para a ‘Akon City’ voltou ao controle do Estado, depois que o artista não conseguiu realizar seu sonho

O Senegal abandonou os planos do cantor de R&B Akon de construir uma cidade multibilionária na costa atlântica do país e optou por realizar um projeto menor que dependerá de financiamento privado.

Segundo informações da Bloomberg, a maior parte do terreno anteriormente reservado para a futurista ‘Akon City’ voltou ao controle do Estado, depois que o artista não conseguiu realizar seu sonho de US$ 6 bilhões (R$ 32 bilhões) de construir uma Wakanda da vida real – o país fictício dos filmes ‘Pantera Negra’, da Marvel Studios.

Esse projeto “não existe mais”, disse Serigne Mamadou Mboup, chefe da Sapco-Senegal, entidade estatal que desenvolve áreas costeiras e turísticas, à L’Agence de presse sénégalaise.

Centro turístico

No ano passado, a Sapco deu a Akon duas semanas para começar a trabalhar no desenvolvimento de sua cidade futurista ou correr o risco de perder a terra em Mbodiène, a cerca de 80 quilômetros a sudeste da capital do Senegal, Dakar. A maior parte do terreno voltou ao controle estatal depois que o cantor deixou de pagar montantes devidos à Sapco.

A entidade agora planeja gastar US$ 1,2 bilhão (R$ 6,5 bilhão) para transformar a área em um centro turístico com hotéis, apartamentos, uma marina e um calçadão conectando o espaço a uma lagoa próxima.

O objetivo é “fazer de Mbodiène um verdadeiro motor de crescimento”, de acordo com uma apresentação compartilhada pela Sapco.

O projeto está sendo desenvolvido enquanto o Senegal lida com uma crise, após uma auditoria estatal descobrir que a administração do ex-presidente Macky Sall acumulou US$ 7 bilhões (R$ 38 bilhões) em empréstimos não declarados anteriormente.

Os chamados passivos ocultos restringiram o acesso da nação da África Ocidental aos mercados de crédito globais e levaram o Fundo Monetário Internacional a congelar US$ 1,8 bilhão (R$ 9,8 bilhões) em financiamento.

Financiamento privado

Isso pode dificultar as esperanças do Senegal de levantar de investidores privados os 600 bilhões de francos CFA (R$ 5,8 bilhões) necessários para o projeto – o governo fornecerá os outros 65 bilhões (R$ 630 milhões).

“Já vimos algum interesse”, disse Boubacar Diallo, gerente geral da unidade de negócios da zona turística na Sablux Immobilier, parceira de desenvolvimento do Estado. Ele se recusou a fornecer mais detalhes.

O Senegal concedeu a Akon 550 mil m² de terra em 2020 para o projeto que previa a transformação de Mbodiène de uma vila agrícola em uma cidade com um hospital de última geração e uma universidade. A Akon City deveria ser movida a energia solar, com residentes e visitantes usando a criptomoeda do artista.

A primeira fase do projeto, que incluía o hospital, estava programada para ser concluída em 2023, parte de um cronograma de dez anos. O progresso mais visível foi um centro para jovens, uma quadra de basquete e um pequeno centro de informações.

O cantor senegalês-americano ainda manteve 80 mil m² de terra que farão parte de um projeto de 500 mil m², apoiado pela Sapco.

“O que Akon está preparando conosco é um projeto realista, que a Sapco apoiará totalmente”, disse Mboup.

O governo espera que seu plano cumpra parte da promessa original e gere 15 mil empregos em sua primeira fase, de acordo com a Sapco.

“Que este resort sirva como modelo de sucesso no Senegal, um centro de turismo e uma fonte de oportunidades econômicas”, disse o prefeito Alpha Samb em uma cerimônia de inauguração na terça-feira (08/07).

O novo plano pode finalmente oferecer uma oportunidade de investimento local, empregos e um motivo para os jovens permanecerem, disse Jean Wally Sene, professor de escola e morador de Mbodiène.

“Há muito tempo, pessoas, inclusive Akon, vêm aqui tentando nos vender sonhos e ilusões”, disse Sene. “Finalmente, há um sonho para Mbodiène no qual ousamos acreditar.”

Por Fabiana Rolfini

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