sexta-feira, 05 junho, 2026
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Viagens espaciais, robôs domésticos: será que já estamos vivendo no mundo dos Jetsons? Confira o que já tornou realidade e o que ainda é fantasia

No geral, a versão dos anos 1960 do futuro é muito mais divertida do que a nossa realidade — mas, quando se trata de inovações, até que estamos bem

É sempre interessante assistir a séries de ficção científica dos anos 60 e descobrir o que já se tornou realidade e o que ainda está muito longe de acontecer. Em Star Trek, por exemplo, temos comunicadores muito avançados, mas o teletransporte continua algo impossível. O jornal The Wall Street Journal analisou o antigo desenho Os Jetsons, de 1962, e mostra onde já alcançamos a família futurista e onde os avanços do desenho animado permacecem na ficção.

Para os não iniciados — ou esquecidos —, esta sitcom familiar da era espacial apresentava George e Jane Jetson, vivendo o sonho americano em um apartamento no céu com seus dois filhos, Judy e Elroy, o cachorro Astro e a empregada robô, Rosey. A série se passa em 2062, um século depois de sua estreia original em 1962. Ela é repleta de invenções fantásticas, como carros voadores, máquinas que geram jantares e esteiras para cães — completas com hidrantes. O clima otimista é bem diferente da ficção científica apocalíptica e, às vezes, sangrenta dos dias de hoje.

A década de 1960 foi repleta de otimismo sobre o que o século 21 traria, e parte disso realmente se concretizou. Embora ainda faltem algumas décadas para a chegada da família Jetson, já é possível avaliar se estamos perto ou não de conseguir tudo que eles tinham.

Chamadas de vídeo: viraram realidade

Na série não tem celular, mas tem chamada de vídeo — Foto: Everett Collection
Na série não tem celular, mas tem chamada de vídeo — Foto: Everett Collection

Em vez de um telefone fixo, os Jetsons tinham um videofone. Os criadores da série não conseguiam imaginar dispositivos móveis, mas acertaram em cheio com as chamadas de vídeo. Jane usa o aparelho para conversar com a mãe pelo menos uma vez por episódio. Eles podiam até criar deepfakes para substituí-los na câmera. Quando George participou secretamente de um jogo de futebol de robôs, seu gêmeo virtual disse a Jane que ele precisava trabalhar até mais tarde.

As videochamadas existem há décadas — pelo menos desde 2003, quando o Skype surgiu. Elas explodiram em 2020, quando muitas pessoas foram forçadas a usar o Zoom e outras plataformas enquanto estavam presas em casa durante a pandemia. Mesmo com a maioria das pessoas voltando ao escritório, nosso desejo de ver colegas remotos, e não apenas ouvir suas vozes, persiste. Em breve, nossa configuração de áudio e vídeo para salas de conferência poderá até aparecer em 3D.

Carros voadores e tubos de viagem: quase lá

Os carros voadores vão chegar, mas com atividades restritas — Foto: Everett Collection
Os carros voadores vão chegar, mas com atividades restritas — Foto: Everett Collection

Não se caminha muito em Orbit City. Uma esteira rolante leva George da cama ao banheiro. Para ir e voltar da sala de aula, Elroy viaja por uma série de tubos de ar chamados de “rede de localização escolar”. (Quando a criança errada aparece na casa dos Jetsons, Jane a manda de volta com o apertar de um botão.)

E eles também usam veículos pessoais — embora normalmente voem. George se desloca para o trabalho em um disco voador com cúpula de vidro que se dobra e vira uma maleta, e mesmo assim consegue ficar preso no trânsito. Cada carro-bolha tem um receptor para conversar com outros motoristas voadores.

Na nossa realidade, ainda estamos nos locomovendo em automóveis que andam sobre o asfalto. Os carros voadores, porém, já estão em produção, e em breve poderão tranportar passageiros pelo ar. Mas há ressalvas, pelo menos por enquanto. Os voos serão curtos e não será possível sobrevoar áreas povoadas. Os veículos também serão proibidos de voar à noite ou em condições climáticas adversas.

Quanto aos tubos de ar, Elon Musk passou algum tempo promovendo sua ideia do Hyperloop, um sistema de transporte que usa ímãs e tubos de aço para viagens de alta velocidade. Embora ainda em fase experimental, um trecho em Munique já transportou um passageiro humano.

Empregos para apertar botões: ainda não

Trabalhar nove horas por semana? Quem sabe com a ajuda da IA... — Foto: Everett Collection
Trabalhar nove horas por semana? Quem sabe com a ajuda da IA… — Foto: Everett Collection

George trabalha como “operador de índice digital” na Spacely Space Sprockets, por aproximadamente três horas por dia, três dias por semana. Como um mero apertador de botões, ele ganha o suficiente para sustentar uma família de quatro pessoas — mesmo passando a maior parte do dia com os pés em cima da mesa.

Embora as empresas frequentemente aumentem a jornada de trabalho em vez de reduzi-la, estamos entrando em uma era de trabalho automatizado por robôs. Com a inteligência artificial, uma pessoa pode implantar uma equipe de “agentes”. São tão eficazes que, muitas vezes, dispensam a presenta de programadores.

À medida que a IA assume mais empregos, será que estamos caminhando para a semana de trabalho de nove horas de George? Ainda é difícil dizer.

Colonização espacial: ainda não

Os Jetsons vivem no céu acima da Terra, em casas construídas sobre palafitas altas. Para evitar os inconvenientes ambientais do nosso planeta, as palafitas podem se elevar acima de qualquer clima adverso. E o próprio espaço não está fora de alcance. Em um episódio clássico, Elroy visita um asteroide em uma excursão escolar.

Ainda não dominamos as viagens interplanetárias. Os bilionários atecnologia certamente estão tentando. Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin, já disse que “milhões de pessoas” viverão no espaço nas próximas décadas. Musk, o criador da SpaceX, escreveu que “Tornar-se multiplanetário é fundamental para garantir a sobrevivência a longo prazo da humanidade e de toda a vida como a conhecemos.”

Musk havia pregado a colonização de Marte, mas agora seu foco se voltou para um corpo celeste mais próximo, a Lua. Enquanto isso, uma corrida espacial interplanetária entre os EUA, a China, a Rússia, os Emirados Árabes Unidos e a Agência Espacial Europeia está em pleno andamento.

Empregadas robôs: ainda não

Os robôs domésticos já existem, mas ainda não são capazes de realizar várias tarefas, como a Rosey — Foto: Everett Collection
Os robôs domésticos já existem, mas ainda não são capazes de realizar várias tarefas, como a Rosey — Foto: Everett Collection

Rosey é mais do que uma empregada robô. Ela é uma das personagens principais da séria, atuando como lançadora de futebol americano para Elroy, ajudante de lição de casa para Judy e subchefe de cozinha para Jane. Ela faz um bolo de abacaxi invertido incrível. E o melhor é que Jane conseguiu Rosey com desconto, porque ela é um modelo mais antigo.

Os robôs humanoides de hoje mal conseguem passar uma pilha de roupas. Não temos uma máquina que faça tudo, mas existem robôs especializados que podem assumir tarefas específicas. Eles já conseguem aspirar e passar pano muito bem. Mas um modelo que promete fazer todas as tarefas domésticas ainda é comandado por controle remoto.

As empresas de robótica dizem que os próximos anos serão dedicados a criar a primeira geração de robôs domésticos. Se eles conseguirem fazer até 10 tarefas, já será um grande avanço.

Lesões causadas por movimentos repetitivos: viraram realidade

Embora a série possa não ter previsto as telas sensíveis ao toque, ela acertou em cheio um efeito colateral importante do uso constante de aparelhos eletrônicos: lesões por movimentos repetitivos. A Cidade Orbital está cheia de botões, e dedos sobrecarregados são uma piada recorrente na série. Jane faz “exercícios” com os dedos regularmente e reclama que seus indicadores estão doloridos.

Em 2026, quem trabalha direto no computador sofre com tendinite ou tech neck (dor no pescoço causado pela posição incorreta olhando para telas de notebook ou celular) depois de rolar por feeds intermináveis. Sem falar na síndrome do túnel do carpo.

36 anos e contando…

Talvez não estejamos vivendo um futuro tão excepcional quanto o dos Jetsons, mas ainda temos três décadas e meia para alcançar o nível tecnológico deles. Quantas revoluções tecnológicas vivenciaremos em mais 36 anos?

Em 2062, talveze estejamos vivendo no espaço — ou tornando nosso planeta atual mais habitável — e trabalhando apenas nove horas por semana. Mas também é possível que estejamos lutando com senhas esquecidas para nossas escovas de dente inteligentes e atualizações problemáticas para nossos carros voadores.

Foto: Divulgação

Por: Marisa Adán Gil

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