terça-feira, 21 julho, 2026
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Crianças são alvo do lixo gerado por IA no TikTok

Estudo revela que a plataforma apresenta vídeos de baixa qualidade gerados por IA em ritmo três vezes maior que o YouTube, com foco na audiência infantil.

Um levantamento inédito com mais de 10 mil vídeos do TikTok revelou que a plataforma exibe “AI slop” (conteúdo de baixa qualidade gerado por inteligência artificial) a uma taxa três vezes maior do que o YouTube. O estudo foi conduzido pela Kapwing, empresa de edição de vídeo com sede nos EUA, e os dados foram coletados em maio de 2026.

A pesquisa, reportada pelo Xataka, analisou 10.742 vídeos distribuídos em 20 categorias da plataforma. O foco principal recaiu sobre os primeiros 500 vídeos exibidos a contas recém-criadas: 294 deles (ou 59%) foram classificados como AI slop. A metodologia foi inteiramente manual, sem uso de automação.

O termo “AI slop” descreve vídeos produzidos em massa com ferramentas de IA com o único objetivo de acumular visualizações. O formato inclui personagens de animação em situações sem sentido, lições educativas com erros, e imagens que se deformam ao longo do vídeo com narração gerada artificialmente.

Crianças, as mais expostas

O conteúdo infantil concentra a maior densidade desse material em toda a plataforma: 57,4% dos vídeos nessa categoria foram classificados como lixo gerado por IA. Dentro da hashtag #CartoonKids, 97 a cada 100 vídeos analisados eram artificiais. Nas hashtags #babysong e #cartoons, a proporção ficou em torno de 83%; em #forkids, chegou a 79%.

A pediatra Dana Suskind, professora da Universidade de Chicago, nos EUA, afirmou que o fenômeno representa “desinformação de IA para crianças pequenas em escala industrial”. Ela alertou que “cada experiência constrói um milhão de novas conexões neurais. Sem querer, você estará estruturando o cérebro de forma incorreta”.

O problema não se restringe ao conteúdo sem sentido. Nas categorias de ciência, educação, saúde e história, as taxas de AI slop ficaram entre 33% e 35%, segundo o estudo da Kapwing.

Comparativo com o YouTube

No YouTube, a mesma metodologia aplicada a uma conta nova identificou AI slop em 21% dos primeiros 500 vídeos do feed de Shorts. A plataforma do Google também adotou medidas mais firmes. Em janeiro de 2026, cancelou 16 canais com 35 milhões de inscritos combinados por violação da política de conteúdo gerado artificialmente.

No TikTok, o algoritmo de personalização amplifica o problema. Quando uma conta nova demonstra interesse em conteúdo de IA, o sistema interpreta esse sinal e passa a exibir ainda mais material do mesmo tipo. O slop inicial, portanto, funciona como ponto de partida para um ciclo que se retroalimenta.

Medidas do TikTok

Quando o TikTok ativou, em novembro de 2025, um controle que permite aos usuários aumentar ou reduzir a quantidade de conteúdo gerado por IA em seu feed, a plataforma já havia rotulado 1,3 bilhão de vídeos como AIGC (conteúdo gerado por IA, na sigla em inglês).

A plataforma também destinou US$ 2 milhões a um fundo educacional para desenvolver conteúdo sobre alfabetização e IA. Os números do estudo, porém, indicam que essas medidas não reduziram de forma expressiva o volume de slop que chega a novos usuários.

O estudo aponta ainda que o conteúdo gerado por IA representa uma fonte inesgotável de vídeos, o que contribui para a retenção na plataforma e sugere pouco incentivo para que o TikTok limite sua circulação.

Por: Giz_br

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