NOAA vê 63% de chance de El Niño muito forte, com risco de calor global elevado em novembro e dezembro.
A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) confirmou que a Terra entrou na fase El Niño do padrão climático ENSO. O evento pode ganhar força até o fim do ano e tem 63% de chance de se tornar muito forte, com impactos em calor, chuvas, saúde, agricultura e infraestrutura.
O que é o El Niño
O El Niño acontece quando águas do Pacífico equatorial leste ficam mais quentes que o normal por vários meses. Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta.
O fenômeno faz parte da Oscilação Sul El Niño, conhecida pela sigla ENSO. Ela alterna fases neutras, La Niña e El Niño em ciclos de dois a sete anos.
Pescadores peruanos observavam esse aquecimento já no século 17. Como ele costumava aparecer perto do Natal, recebeu o nome El Niño, referência ao “menino” ou ao menino Jesus em espanhol.
Por que este evento preocupa
Um El Niño começa oficialmente quando a superfície do mar no Pacífico equatorial leste fica pelo menos 0,5 °C acima da média por vários meses.
Quando esse aquecimento passa de 2 °C, os cientistas classificam o evento como muito forte. Esse nível também recebe o apelido de “super El Niño”.
A NOAA calcula 63% de chance de as águas do Pacífico tropical leste ficarem mais de 2 °C acima da média durante o inverno. Isso colocaria o evento atual na categoria mais intensa.
Desde abril, pesquisadores observam temperaturas acima da média na região. Em junho, as previsões já indicavam que o El Niño poderia ganhar força.
O papel da mudança climática
A mudança climática dificulta a leitura desses sinais. O aquecimento global não ocorre de forma igual em todas as regiões, o que complica a identificação das anomalias de temperatura.
Por isso, o Centro de Previsão Climática da NOAA adotou, em maio, um novo índice para acompanhar o El Niño. A ferramenta ajusta a análise ao aquecimento ligado à mudança climática.
Ao ScienceNews, Tom Di Liberto, cientista climático da Climate Central, afirmou que simulações indicam temperaturas globais “assustadoramente altas” em novembro e dezembro.
Esse calor pode aumentar mortes por estresse térmico. Também pode favorecer doenças como cólera, febre tifoide e malária.
O que pode mudar no clima
El Niños fortes transferem muito calor do Pacífico tropical para a atmosfera. Esse pulso pode elevar a temperatura média global durante o evento.
O fenômeno também desloca a corrente de jato do Pacífico. Algumas áreas ficam mais secas. Outras passam a receber mais chuva.
Como ele se compara aos maiores eventos
Os El Niños fortes mais recentes ocorreram em 2015–2016, 1997–1998 e 1982–1983.
O evento de 1997–1998 lidera os registros. Ele elevou a temperatura média global do período em 1,5 °C e provocou eventos extremos em várias regiões. O episódio trouxe chuvas torrenciais e enchentes no Peru e no leste da África. Também favoreceu seca e incêndios no Sudeste Asiático, além de tempestades com enchentes e deslizamentos na Califórnia.
Pesquisadores estimaram perdas globais de US$ 5,7 trilhões para o evento de 1997–1998. O El Niño de 1982–1983 custou cerca de US$ 4,1 bilhões.
Ainda não há certeza de que o evento atual chegará ao nível de “super El Niño”. O planeta já está mais quente, e Di Liberto avalia que nem seria necessário um El Niño muito forte para quebrar recordes neste ano.
Por: Hemerson Brandão


