A principal vantagem, de acordo com a NASA, é que a resolução do SPHEREx permite identificar assinaturas moleculares específicas
Lançado em março pela NASA, o telescópio espacial SPHEREx já começou a trazer bons frutos para a astronomia infravermelha. Os astrônomos estão usando seus dados coletados em órbita terrestre baixa para mapear o Universo infravermelho em 102 cores.
A ideia é ir desde a investigação das moléculas orgânicas em nossa galáxia até os mistérios da expansão cósmica. Enquanto missões anteriores como a WISE mapearam o céu em quatro bandas espectrais, o SPHEREx realiza observações em 102 comprimentos de onda infravermelhos.
A principal vantagem, de acordo com a NASA, é que essa resolução permite identificar assinaturas moleculares específicas por meio de espectroscopia.
“Como observamos todo o céu, quase todas as áreas da astronomia podem se beneficiar dos dados do SPHEREx”, explica Rachel Akeson, líder do Centro de Dados Científicos do SPHEREx no IPAC, o centro de astrofísica do Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA).
A equipe científica focará em três grandes objetivos: Mapear água congelada e moléculas orgânicas na Via Láctea; estudar a física da expansão cósmica pós-Big Bang; e medir a luz acumulada de todas as galáxias ao longo do tempo.
De acordo com os pesquisadores, os dados processados ficam disponíveis publicamente em até 60 dias após a coleta. “Ao tornar os dados acessíveis, permitimos que toda a comunidade astronômica explore novas descobertas”, destaca Akeson.
Durante sua missão principal de dois anos, o SPHEREx criará quatro mapas completos do céu. Seus dados serão cruciais para guiar observações do Telescópio Espacial James Webb, além de refinar parâmetros de exoplanetas do TESS e complementar estudos de matéria escura com as missões Euclid (ESA) e Roman (NASA).
O que é a missão SPHEREx da NASA
Segundo a NASA, o SPHEREx, que pesa 500 quilos, vai demorar seis meses para criar o mapa completo do céu. Além disso, a NASA planeja executar quatro observações completas do céu em dois anos. Para isso, o telescópio ficará orbitando a Terra de um polo a outro em uma altitude de 650 quilômetros.
Assim, diferentemente do telescópio James Webb, que fornece imagens detalhadas de galáxias individualmente, o SPHEREx vai focar em medir o brilho infravermelho coletivo de todas as galáxias, incluindo aquelas que se formaram no início do Universo.
A missão SPHEREx é gerenciada pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA para a Divisão de Astrofísica da agência, dentro da Diretoria de Missões Científicas na sede da NASA. A BAE Systems construiu o telescópio e o ônibus espacial.
Dessa forma, a análise científica dos dados do SPHEREx será conduzida por uma equipe de cientistas localizada em 10 instituições nos EUA, duas na Coreia do Sul e uma em Taiwan.
Por: Gabriel Andrade


