quinta-feira, 23 abril, 2026
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Tarifas de Trump unem Brasil e Índia na luta por novos mercados; encontros acontecem nesta semana

Nesta semana, a delegação brasileira na Índia, liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, deverá discutir potenciais parcerias com o empresariado do país em áreas como agronegócio, biocombustíveis e defesa

Brasil e Índia são dois dos países emergentes mais afetados pelas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. E diante disso, seus líderes, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o indiano Narendra Modi, estão reforçando os laços, apostando que poderão impulsionar a conquista de novos mercados.

Esta semana, autoridades governamentais e executivos empresariais de ambas as nações se reúnem em Nova Délhi. Um dos objetivos é triplicar a parceria comercial de US$ 12 bilhões (aproximadamente R$ 65,3 bilhões).

“A guerra comercial de Trump está gerando uma reorganização total do comércio em todos os lugares”, disse Thiago de Aragão, chefe da consultoria internacional Arko International, à Bloomberg. “Embora todos queiram resolver os problemas que têm com os Estados Unidos, todos estão preocupados com a possibilidade de que essa mentalidade do governo Trump seja uma tendência de longo prazo.”

A delegação brasileira na Índia, liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, deverá discutir potenciais parcerias com o empresariado do país em áreas como agronegócio, biocombustíveis e defesa. Ele está particularmente interessada em explorar os mercados de café e etanol, disse um funcionário do governo brasileiro à Bloomberg. Os dois países também discutirão a expansão do acordo comercial preferencial Mercosul-Índia, assinado em 2004.

Após as tarifas de 50% impostas por Trump sobre os produtos brasileiros, o Brasil redirecionou parte de suas exportações dos Estados Unidos para a Argentina e a China. Mas a Índia, dizem as autoridades brasileiras, é o destino com maior potencial de crescimento.

“Talvez o maior aumento nos fluxos comerciais que veremos, independentemente do aumento de tarifas, mas também por causa dele, será com a Índia”, apontou Jorge Viana, chefe da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).

A Índia é ainda mais dependente da relação comercial com os Estados Unidos do que o Brasil. E as tensões entre os dois países por conta das tarifas parecem estar diminuindo, com Trump e Modi tendo feito duas ligações telefônicas nas últimas semanas.

Ainda que Brasil e Índia fiquem mais próximos, a Bloomberg destaca que é improvável que consigam se afastar dos EUA. Um grande desafio é que ambos vendem muitos dos mesmos produtos para o exterior, como café e açúcar. Outro é que há a dependência mútua da China.

Por: Renata Turbiani

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