Startup “Operação Bluebird” busca reconstruir plataforma após anunciantes resistirem à rede X.
Um advogado dos EUA especializado em propriedade intelectual iniciou um processo para reivindicar o nome Twitter e seu logotipo icônico. Isso após Elon Musk anunciar o abandono da marca. A iniciativa surgiu da startup autodenominada “Operation Bluebird”, criada em 2023 e que visa reconstruir a plataforma com foco em marcas comerciais, em um cenário onde anunciantes demonstram resistência em permanecer na rede X.
A oportunidade surgiu quando Musk declarou em julho de 2023: “vamos dar adeus à marca twitter e, gradualmente, a todos os pássaros”. Foi nesse momento que Peroff, advogado especializado em direito de marcas, identificou a possibilidade de reivindicar não apenas o nome Twitter, mas também utilizar o logotipo ilustrado conhecido internamente como “Larry Bird”.
De acordo com o Ars Technica, essa tentativa de recuperação da marca representa um caso incomum no direito de propriedade intelectual.
Motivação por trás da iniciativa
A Operation Bluebird começou a ser formalmente organizada logo após o anúncio de Musk. O projeto tem como objetivo recriar o Twitter em nome, serviços e formato, com atenção especial às necessidades das marcas comerciais.
A motivação para a criação da iniciativa está diretamente relacionada à relutância de diversas corporações em anunciar na plataforma X. Estas empresas temem associação com conteúdos problemáticos, incluindo visões extremistas, publicações fraudulentas e pornografia automatizada.
“Acreditamos que nossas ferramentas de moderação ajudarão a discussão a evoluir para algo mais responsável”, afirmou Peroff. “As marcas estão presas ao X porque não têm outro lugar para ir.”
Impacto no mercado publicitário
O projeto está sendo desenvolvido nos Estados Unidos, com foco específico no mercado publicitário que anteriormente utilizava o Twitter como plataforma de divulgação.
Uma pesquisa conduzida pela empresa de análise de mercado Kantar, divulgada em setembro de 2024, mostrou que 26% dos profissionais de marketing entrevistados planejavam encerrar suas campanhas publicitárias na plataforma X.
Enquanto isso, a rede Threads, pertencente à Meta, começou a testar anúncios no início deste ano e apenas recentemente atingiu a escala de aproximadamente 400 milhões de usuários ativos mensais, número que o Twitter tinha quando foi adquirido por Musk.
Questões legais sobre a reivindicação da marca
Especialistas em direito de marcas apresentam opiniões divergentes sobre a viabilidade legal da Operation Bluebird obter os direitos sobre a marca Twitter. O ponto central da questão é determinar se a X Corporation efetivamente abandonou a marca a ponto de permitir sua reivindicação por terceiros.
Mark Lemley, professor de Direito de Stanford e especialista em direito de marcas, explicou que a X poderia defender as marcas do Twitter se demonstrar que ainda as utiliza. “Mero ‘uso simbólico’ não será suficiente para reservar a marca”, escreveu Lemley em um e-mail.
“Ou [X] poderia se defender se puder mostrar que planeja voltar a usar Twitter. Os consumidores obviamente ainda conhecem o nome da marca. Parece estranho pensar que outra pessoa poderia pegar o nome quando os consumidores ainda o associam com o ex-site de rede social desse nome. Mas é isso que a lei diz.”
Por outro lado, Mark Jaffe, advogado de propriedade intelectual não envolvido no caso, acredita que a X Corporation pode enfrentar dificuldades para manter as marcas do Twitter. “Uma vez que não está mais proeminente no site e o proprietário, o CEO, diz que agora se chama isso e não aquilo”, disse ele à Ars. “Não sei como você supera um argumento de abandono”, acrescentou.
Fonte: Giz_Br


