quinta-feira, 23 abril, 2026
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Startup chinesa vai tentar pousar foguete reutilizável e entra na disputa com SpaceX de Musk

O Zhuque-3 será lançado de Jiuquan e pode marcar um avanço para a indústria espacial comercial do país

Na madrugada de quinta-feira (3), a startup espacial chinesa LandSpace lançará o primeiro voo de seu foguete de porte médio Zhuque-3. O lançamento está previsto para 1h (horário de Brasília) e ocorrerá do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan.

Quando decolar, o Zhuque-3 se tornará o maior veículo de lançamento comercial já operado na China, de acordo com reportagem do Ars Technica. Além disso, com esse voo, a LandSpace pretende se tornar a primeira empresa chinesa de lançamento a tentar um pouso do primeiro estágio do foguete.

Recentemente, foi concluída uma plataforma de pouso no Deserto de Gobi, a cerca de 390 quilômetros a sudeste do centro de lançamento em Jiuquan. O propulsor Zhuque-3, ao terminar sua missão de enviar o veículo para a órbita, seguirá uma trajetória em arco em direção ao local, pousando cerca de oito minutos e meio após a decolagem – Isso se tudo der certo.

Fundada em 2015, a LandSpace já desenvolveu seus próprios motores a combustível líquido e um lançador de classe leve chamado Zhuque-2. Mas o principal objetivo da empresa é a construção de um foguete maior e parcialmente reutilizável para atender à crescente demanda da China por serviços de satélite. E o país precisa de foguetes reutilizáveis ​​para acompanhar a indústria de lançamentos dos Estados Unidos, atualmente dominada pela SpaceX, de Elon Musk.

Este ano, a potência oriental fez 77 tentativas de lançamento orbital, mas nenhum tipo de foguete voou mais de 13 vezes. Em comparação, o Falcon 9 da SpaceX foi responsável por 153 dos 182 lançamentos realizados por foguetes americanos.

O Zhuque-3 da LandSpace pode mudar as coisas para a China. Com cerca de 65,9 metros e visual parecido com o Falcon 9, ele, em sua primeira versão, será capaz de colocar uma carga útil de até 8 toneladas em órbita baixa da Terra, após contabilizar as reservas de combustível necessárias para a recuperação do propulsor.

De acordo com o Ars Technica, o primeiro estágio possui nove motores TQ-12A que consomem metano e oxigênio líquido, produzindo mais de 725 toneladas de empuxo em potência máxima. O segundo estágio é impulsionado por um único motor TQ-15A movido a metano, com cerca de 90 toneladas de empuxo.

Futuramente, a LandSpace quer lançar uma versão aprimorada do foguete, com maior capacidade de propelente e motores mais potentes, elevando sua capacidade de carga útil para mais de 18,3 toneladas no modo reutilizável, ou algumas toneladas a mais com um propulsor descartável.

Corrida espacial chinesa

Outras empresas chinesas estão na briga para ter um foguete reutilizável. Uma delas é a estatal Instituto de Tecnologia Espacial de Xangai, com seu Long March 12A, que poderá voar antes do final deste ano, mas as autoridades ainda não divulgaram um cronograma.

Mais uma companhia é a Space Pioneer, desenvolvedora do Tianlong-3. Apesar de um lançamento acidental durante um teste de ignição do propulsor no ano passado, ela concluiu com sucesso um teste estático de ignição em setembro.

Também entram na lista a CAS Space, que recentemente enviou seu primeiro foguete Kinetica-2 para Jiuquan para os preparativos de lançamento; a Galactic Energy, que concluiu os testes de ignição do segundo e do primeiro estágios de seu foguete Pallas-1 em setembro e novembro; a i-Space, que está desenvolvendo um foguete parcialmente reutilizável chamado Hyperbola-3, e a Deep Blue Aerospace, que está trabalhando em tecnologia de pouso vertical para seu foguete Nebula-1.

O Ars Technica pontua que a maior desenvolvedora de foguetes da China, a Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos de Lançamento, tem em seus planos dois foguetes superpesados: o Long March 10, projetado para voar com propulsores reutilizáveis ​​e lançar a espaçonave tripulada de próxima geração da China em missões à Lua, e o Long March 9, totalmente reutilizável, de porte semelhante ao da Starship da SpaceX.

 Foto: Divulgação/LandScape

Por: Renata Turbiani

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