Pílula que atua no tronco cerebral pode ampliar as opções contra um distúrbio comum, subdiagnosticado e pouco tratado, hoje dominado por terapias mecânicas
O tratamento da apneia do sono, uma condição comum na qual a respiração é interrompida durante o sono, às vezes reduzindo os níveis de oxigênio a níveis perigosos, poderá ter uma novidade em breve.
A startup Apnimed, dos Estados Unidos, se prepara para solicitar aprovação da agência reguladora Food and Drug Administration (FDA) para uma pílula noturna baseada em dois fármacos testados pela Universidade de Harvard. A expectativa é que ela chegue ao mercado no primeiro semestre de 2027.
Reportagem da Forbes explica que o medicamento funciona “acordando” levemente o tronco cerebral, evitando o relaxamento completo dos músculos da garganta, ao mesmo tempo que permite que o cérebro continue descansando durante o sono.
A Apnimed é uma empresa de biotecnologia em estágio inicial. A promessa do novo remédio, de acordo com a Forbes, a ajudou a levantar US$ 260 milhões (aproximadamente R$ 1,4 bilhão) em investimentos de fundos como Morningside, Alpha Wave Global e Sectoral Asset Management. Isso fez com que fosse avaliada em US$ 400 milhões (R$ 2,1 bilhões). Se o remédio for mesmo aprovado, esse valor pode disparar.
“Os números são impressionantes. Acho que milhões de pessoas usarão esse medicamento — se será um milhão ou dez milhões, ainda não sabemos”, disse Larry Miller, cofundador e CEO da startup.
Sua empresa está focando em uma condição pouco discutida. “Não é uma doença glamourosa”, disse ele à Forbes. “Alzheimer captura a imaginação pública; a apneia, não.”
A Apnimed estima que o número de pessoas com apneia do sono não tratadas seja tão alto que a existência de mais opções de tratamento só aumentará o mercado potencial. “Acreditamos que a maioria das pessoas diagnosticadas não está sendo tratada. Esse é o absurdo fundamental da categoria”, afirmou Graham Goodrich, diretor comercial da empresa.
Miller acrescentou que, no futuro, as milhões de pessoas com apneia do sono terão alternativas para cuidar dessa condição, assim como acontece com outras doenças e distúrbios graves. “Será como asma ou hipertensão. Como médico, você tenta escolher a melhor opção para o paciente. Isso não era possível até agora”, finalizou.
Por: Renata Turbiani


