quinta-feira, 23 abril, 2026
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Satélite com precisão inédita que vai rastrear os efeitos das mudanças climáticas é lançado nesta quarta

Chamado de NISAR, equipamento de R$ 8 bilhões é fruto de uma parceria entre as agências espaciais norte-americana (Nasa) e indiana (ISRO)

Um novo satélite que pode detectar mudanças na superfície da Terra com uma precisão nunca alcançada vai ser lançado nesta quarta-feira (18) do Centro Espacial Satish Dhawan, na Índia. O equipamento é fruto de uma parceria entre as agências espaciais norte-americana (Nasa) e indiana (ISRO).

Com quase 3 toneladas e com uma antena de radar de 12 metros, o satélite NISAR, de US$ 1,5 bilhão (R$ 8 bilhões), irá monitorar o solo sob nossos pés e a água que flui sobre e através dele com um nível de detalhe sem precedentes, fornecendo informações valiosas para agricultores, cientistas do clima e equipes de resposta a desastres naturais. As informações são do Science Alert.

Satélites que capturam imagens da Terra têm sido ferramentas científicas inestimáveis por décadas. Eles fornecem dados fundamentais para diversas aplicações, como previsão do tempo e planejamento de respostas a emergências. Também ajudam cientistas a acompanhar mudanças de longo prazo nos ecossistemas e no clima da Terra.

Muitos satélites de observação da Terra dependem da luz solar refletida para capturar imagens da superfície terrestre. Isso significa que só conseguem registrar imagens durante o dia e quando o céu está sem nuvens.

Mas o satélite NISAR supera esses desafios ao utilizar a tecnologia de radar de abertura sintética (SAR) para capturar imagens da Terra. Essa tecnologia também dá nome ao satélite: NISAR é a sigla para NASA-ISRO SAR.

O que é a tecnologia SAR?

A tecnologia SAR foi inventada em 1951 para uso militar. Em vez de utilizar a luz solar refletida para capturar passivamente imagens da superfície da Terra, satélites com SAR funcionam emitindo ativamente um sinal de radar em direção ao solo e detectando o sinal refletido. É como usar o flash para tirar uma foto em um quarto escuro.

Isso significa que satélites com SAR podem capturar imagens da superfície terrestre tanto de dia quanto à noite.

Como os sinais de radar atravessam as nuvens e a fumaça sem serem interrompidos, os satélites SAR também conseguem obter imagens da Terra mesmo quando ela está coberta por nuvens, fumaça ou cinzas. Isso é um diferencial durante desastres naturais, como enchentes, incêndios florestais ou erupções vulcânicas.

Os sinais de radar também podem penetrar em certas estruturas, como vegetação densa. Eles são úteis para detectar a presença de água, devido à forma como a água afeta os sinais de radar refletidos.

O satélite NISAR está em desenvolvimento há mais de uma década e é um dos satélites de observação da Terra mais caros já construídos.

Os dados do satélite serão fornecidos de forma gratuita e aberta para todo o mundo. Ele fornecerá imagens de alta resolução de quase todas as superfícies terrestres e de gelo do planeta duas vezes a cada 12 dias.

Isso é semelhante em escopo aos satélites Sentinel-1 da Agência Espacial Europeia, que também utilizam a tecnologia SAR. No entanto, o NISAR será o primeiro satélite SAR a usar duas frequências de radar complementares, em vez de apenas uma, e será capaz de produzir imagens com resolução mais alta do que os Sentinel-1. Ele também terá maior cobertura da Antártida e usará frequências de radar que penetram mais profundamente na vegetação.

Objetivos do NISAR

O NISAR será usado para monitorar a biomassa florestal. Sua capacidade de penetrar na vegetação e, ao mesmo tempo, detectar a presença de água, também permitirá mapear com precisão áreas alagadas com vegetação. Com isso, ele terá uma compreensão mais profunda das zonas úmidas da Terra — ecossistemas cruciais que apresentam alta biodiversidade e grande capacidade de armazenamento de carbono.

O satélite também será capaz de detectar mudanças na elevação da superfície terrestre de apenas alguns centímetros, ou até milímetros, já que essas alterações provocam pequenos deslocamentos no sinal de radar refletido.

O NISAR utilizará essa técnica para monitorar o rebaixamento de barragens e mapear os níveis de água subterrânea (uma vez que a água no subsolo afeta a altura da superfície). A mesma técnica será usada para mapear o deslocamento do solo e os danos causados por terremotos, deslizamentos de terra e atividades vulcânicas.

O satélite NISAR também será útil em aplicações agrícolas, com uma capacidade única de estimar os níveis de umidade no solo com alta resolução e em qualquer condição climática.

Outras aplicações importantes da missão NISAR incluirão o monitoramento do fluxo de geleiras e mantos de gelo, a observação da erosão costeira e o rastreamento de vazamentos de petróleo.

Por: Patrícia Basilio

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