sexta-feira, 09 outubro, 2026
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Rede usou vagas falsas de emprego para recrutar 15 mil pessoas e lavar US$ 10 milhões para hackers nos EUA

Moradores dos Estados Unidos recebiam dinheiro roubado nas próprias contas e o enviavam ao exterior; líder do esquema se declarou culpado e pode pegar até 50 anos de prisão

Uma rede criminosa transformou falsas ofertas de emprego em uma operação internacional de lavagem de dinheiro para hackers. Mais de 15 mil moradores dos Estados Unidos foram recrutados para receber valores roubados em suas próprias contas bancárias e transferi-los ao exterior.

Batizada de Your Mule Cashout (YMCO), a organização lavou pelo menos US$ 10 milhões desviados de mais de 750 contas bancárias americanas. Oleg Korniev, de 42 anos, cidadão da Ucrânia e da Rússia, se declarou culpado na quinta-feira (8) de liderar o esquema, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

As vítimas do falso recrutamento acreditavam que trabalhariam para empresas legítimas, processando pagamentos comerciais. A suposta função consistia em receber o dinheiro em contas pessoais, sacar os valores e enviá-los a parceiros da companhia no exterior.

Na prática, os depósitos eram feitos por criminosos que haviam invadido contas bancárias de empresas americanas. Depois de passar pelas contas dos trabalhadores, o dinheiro era remetido a integrantes da YMCO em outros países. As pessoas recrutadas nunca receberam pelo serviço.

Empresa montada para lavar dinheiro

A YMCO oferecia aos hackers a infraestrutura necessária para esconder a origem dos recursos e retirá-los dos Estados Unidos, principalmente em direção à Europa Oriental. Em troca, ficava com uma porcentagem do dinheiro roubado.

Segundo o BleepingComputer, com base em documentos judiciais, os candidatos eram abordados por mensagens enviadas em nome de empresas fictícias e passavam por processos seletivos que pareciam verdadeiros. As transferências eram feitas por serviços como Western Union e MoneyGram para operadores localizados na Moldávia, Ucrânia, Rússia e Letônia.

Por dentro, a rede funcionava como uma empresa. Korniev ajudava a definir políticas e procedimentos, contratava e demitia funcionários, distribuía recompensas e punições de acordo com o desempenho e providenciava serviços ilegais para sustentar a operação.

O sistema permitia que hackers de diferentes partes do mundo terceirizassem uma das etapas mais difíceis do crime digital: retirar o dinheiro das contas invadidas sem deixar um caminho direto até os autores do ataque.

Pena pode chegar a 50 anos

Korniev se declarou culpado de cinco acusações, entre elas lavagem de dinheiro, conspiração para fraude informática e roubo de identidade agravado. A data da sentença ainda será definida.

No acordo judicial, ele admitiu que a YMCO provocou mais de US$ 14,7 milhões em prejuízos consumados ou pretendidos contra vítimas já identificadas. Korniev também reconheceu que pretendia lavar mais de US$ 9,7 milhões recebidos de criminosos digitais e que efetivamente movimentou ao menos US$ 7 milhões.

Ele concordou em ressarcir integralmente as vítimas conhecidas e abrir mão do dinheiro apreendido quando foi preso na Geórgia. A pena prevista varia de dois a 50 anos de prisão e será determinada por um juiz federal.

Outros quatro integrantes da YMCO já haviam sido presos fora dos Estados Unidos, extraditados e condenados por conspiração para lavagem de dinheiro. Eles receberam penas de aproximadamente 37 a 63 meses de prisão e foram obrigados a devolver mais de US$ 9,1 milhões às vítimas.

Por: Redação Época NEGÓCIOS

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