Secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, quer propor a Pequim um canal direto de comunicação para que os dois países possam se alertar rapidamente caso sistemas de inteligência artificial provoquem incidentes graves
Os Estados Unidos querem criar uma espécie de “telefone vermelho” com a China para lidar com possíveis emergências envolvendo inteligência artificial. A ideia é estabelecer um canal bilateral de comunicação que permita aos dois países se avisarem rapidamente caso sistemas avançados de IA provoquem algum incidente grave.
A proposta foi revelada pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. Em entrevista ao Axios, ele afirmou que pretende sugerir ao governo chinês a criação de um processo de notificação para situações em que “algo dê errado” com a tecnologia.
Bessent disse que já discutiu segurança de IA com o vice-premiê chinês He Lifeng. Segundo o secretário, embora Washington e Pequim tenham preocupações diferentes em relação à tecnologia, os dois governos enxergam riscos associados ao avanço dos sistemas.
Entre as ameaças mencionadas pelo americano estão agentes de IA e o uso da tecnologia por pessoas mal-intencionadas para realizar ataques cibernéticos. Bessent também demonstrou preocupação com a disseminação dos modelos chineses de código ou pesos abertos. “Acho que eles não perceberam o quão poderosos são seus modelos open source”, afirmou Bessent.
Na avaliação do secretário, a China teria passado a perceber riscos maiores na disseminação desses sistemas. Pequim também enfrenta outra preocupação: o potencial da IA para afetar seu controle sobre a circulação de informações. Autoridades chinesas já alertaram para possíveis impactos da tecnologia sobre a estabilidade política e ideológica do país.
Do lado americano, Bessent defendeu que a discussão sobre IA não fique concentrada apenas na corrida por modelos cada vez mais poderosos. Segundo ele, os Estados Unidos também precisam dedicar mais atenção à proteção de sistemas e infraestruturas críticas contra ameaças relacionadas à tecnologia.
Por: Época Negócios


