Sistema experimental desenvolvido por cirurgiões da Universidade Northwestern substituiu integralmente a função respiratória de um homem com falência pulmonar, permitindo que seu corpo se recuperasse antes da cirurgia definitiva
Cirurgiões da Universidade Northwestern, dos Estados Unidos, desenvolveram um sistema de pulmão artificial que substituiu por dois dias os pulmões gravemente comprometidos de um paciente. O homem de 33 anos contraiu uma forma grave de gripe que o levou a desenvolver síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), condição potencialmente fatal, e, posteriormente, pneumonia bacteriana.
Na sua condição, a única opção era fazer um transplante duplo de pulmão, mas, conforme relatado pelo Gizmodo, os médicos temiam que seu corpo estivesse fraco demais para suportar o procedimento.
Eles, então, decidiram remover completamente os pulmões do paciente e desenvolver um sistema temporário capaz de estabilizá-lo até que o transplante se tornasse viável do ponto de vista médico.
Batizado de sistema de pulmão artificial total (TAL, na sigla em inglês), ele foi projetado para assumir integralmente as funções dos pulmões. Poucas horas após ser conectado a ele, o estado clínico do homem começou a melhorar, segundo os cientistas.
Dois dias depois, ele pode enfim fazer o transplante. Sete dias mais tarde, foi retirado da intubação e, após oito semanas, recebeu alta hospitalar. Dois anos mais tarde, seus pulmões transplantados seguem funcionando bem.
Apesar do sucesso de toda a operação, os médicos destacam que, por enquanto, ela deve ser vista como uma prova de conceito – até porque, pontua o Gizmodo, apenas alguns centros médicos altamente especializados dispõem dos recursos e da expertise necessários para desenvolver sistemas TAL semelhantes.
Mas eles acreditam que a abordagem pode ser padronizada e, no futuro, utilizada para prolongar a vida de pessoas que, de outra forma, não seriam elegíveis para transplantes.
“Os próximos passos envolvem a criação de registros multicêntricos e estruturas colaborativas. Esses estudos mais amplos serão essenciais para refinar protocolos — como as estratégias de anticoagulação — e para validar critérios de seleção de pacientes e o momento ideal da intervenção”, explicou o pesquisador principal Ankit Bharat, cirurgião torácico da Northwestern University.
E ele completou: “Também pretendemos usar os dados moleculares obtidos neste estudo para identificar melhor quais pacientes apresentam lesão pulmonar irreversível e se beneficiariam mais dessa tecnologia”.
Por: Renata Turbiani


