quinta-feira, 23 abril, 2026
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Paradromics, rival da Neuralink, testa primeiro implante de chip cerebral em humano

Procedimento foi realizado em paciente que estava sendo submetido a uma cirurgia cerebral para tratar de uma epilepsia

A startup Paradromics, uma das rivais da Neuralink no mercado de interface cérebro-computador (BCI), anunciou nesta segunda-feira (2) que realizou com sucesso o seu primeiro implante cerebral em um humano. Nos últimos anos, a empresa, fundada em 2015, vinha testando seu implante em ovelhas.

O procedimento ocorreu em 14 de maio na Universidade de Michigan, nos EUA, e foi realizado em uma pessoa que estava sendo submetida a uma cirurgia cerebral para tratar sua epilepsia. O paciente deu seu consentimento para que o dispositivo Connexus fosse inserido temporariamente em seu lobo temporal, que processa informações auditivas e codifica a memória.

Para implantar o dispositivo, que foi retirado em segurança 10 minutos depois, os cirurgiões usaram um instrumento semelhante a uma EpiPen (caneta de adrenalina) desenvolvido pela própria Paradromics. Os pesquisadores puderam, então, verificar se o dispositivo era capaz de registrar sinais elétricos do cérebro do paciente.

“Esta cirurgia é um ponto de inflexão fundamental para a Paradromics. Agora, somos uma empresa em estágio clínico”, disse Matt Angle, CEO e fundador da Paradromics, em comunicado. “Esse procedimento é a primeira de muitas cirurgias planejadas para os próximos meses”, acrescentou.

O dispositivo da startup é menor que uma moeda de dez centavos e tem 420 agulhas minúsculas, ou eletrodos, que são inseridas no tecido cerebral, da mesma forma que o implante da Neuralink (em comparação, ele tem mais de 1.000 eletrodos distribuídos em 64 fios finos e flexíveis).

Enquanto isso, outras empresas de BCI estão adotando abordagens menos invasivas. A Precision Neuroscience, por exemplo, está testando um implante que fica na superfície do cérebro, e a Synchron desenvolveu um dispositivo que entra em um vaso sanguíneo e fica encostado no cérebro. Esses dois dispositivos coletam sinais de grupos de neurônios, em vez de sinais individuais.

A Paradromics planeja lançar um estudo clínico até o final do ano em pacientes com paralisia. O dispositivo seria implantado a longo prazo nesses participantes.

Por: Fabiana Rolfini

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