A companhia pretende aumentar a sua participação no mercado brasileiro, especialmente nas áreas de TVs de tela grande e ar-condicionado, diz Eason Cai, CEO da TCL Semp
“Queremos aumentar nossa participação em categorias onde já vamos bem, como TVs e ar-condicionado, mas também ampliar a penetração de outros produtos do nosso portfólio, como máquinas de lavar, refrigeradores e painéis solares”, diz Eason Cai, CEO da TCL Semp e presidente da TCL Latin America Business Group, em entrevista a Época NEGÓCIOS, concedida durante curta passagem pelo país.
O movimento é crucial para a empresa, que tem o Brasil como o seu terceiro maior mercado global, com 11 milhões de unidades vendidas ao ano, totalizando um faturamento de US$ 45 bilhões. Segundo informações da TCL, a receita no país cresceu 23% em 2024, em relação ao ano anterior; o número de unidades vendidas cresceu 15%.
Faz parte da estratégia de expansão o investimento na produção local, com a ampliação e modernização da fábrica de TVs de Manaus, que hoje produz 3,5 milhões de unidades por ano (a companhia tem outra na cidade, voltada para ar-condicionado). “Queremos aumentar a capacidade, já que estamos sobrecarregados pela demanda”, diz Kai. Segundo ele, não há planos concretos para abrir uma nova fábrica por aqui – embora haja estudos envolvendo a produção da linha branca (máquinas de lavar roupa e louca, refrigerador, freezer e fogão).
A empresa não revelou o valor do investimento na fábrica de televisores. No ano passado, a TCL investiu mais de R$ 150 milhões na unidade voltada às telas, e R$ 31 milhões na planta de ar-condicionado.
Atuando em mais de 160 países, a TCL ocupa hoje o segundo lugar nas vendas mundiais de televisores, atrás apenas da Samsung. Segundo a consultoria Conterpoint Research, no terceiro trimestre de 2024, a participação da Samsung no mercado global de televisores foi de 15%, enquanto as empresas chinesas TCL e Hisense alcançaram 12% cada uma. A seu favor, a companhia tem propostas inovadoras: foi ela quem lançou a primeira TV QLED Mini LED 8K do mundo, em 2021; e o maior televisor, de 115 polegadas, em 2024.
A marca desembarcou no Brasil em 2016 por meio de uma joint-venture com a Semp, empresa brasileira pioneira no mercado nacional de eletroeletrônicos, que fabricou os primeiros aparelhos de rádio e TV no país.
Olimpíadas e Copa América
Outra estratégia para aumentar a popularidade da marca, no Brasil e no mundo, é o patrocínio de todos os Jogos Olímpicos até 2032 – a empresa avisa também que vai manter o apoio à Copa América e ao Conmebol. Em fevereiro, a TCL fechou um contrato com o Comitê Olímpico Internacional (COI) em Pequim, na China. “Acreditamos que dessa maneira podemos atrair um público mais jovem, e passarmos a ser vistos como uma empresa premium no Brasil”, disse Cai.
O acordo envolve desde a oferta de telas digitais nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos até eletrodomésticos na Vila Olímpica. “A TCL tem uma longa história de apoio ao esporte ao redor do mundo e agora está levando a novos patamares a ambição de impulsionar a excelência, com os Jogos Olímpicos”, disse o presidente do COI, Thomas Bach, durante o evento de anúncio da parceria, em Pequim.
Google TV
Uma parceria com o Google, anunciada em janeiro, marcou a entrada oficial da gigante na era dos aparelhos equipados com inteligência artificial. O software Google TV com o Gemini embutido chega a aparelhos da fabricante ainda este ano, segundo anunciou a vice-presidente de plataformas de TV do Google, Sgahili Gil-Pai, durante o evento da TCL na Consumer Electronics Show (CES). A TCL será a primeira a contar com o Gemini em seus aparelhos de TV.
“Com o Google, vamos desenvolver soluções inteligentes com IA e IoT. Os usuários poderão controlar seus eletrodomésticos por meio de celulares conectados à plataforma do Google”, disse Eason Cai. No Brasil, a televisão da TCL com Gemini AI deve chegar em abril.
Por: Marisa Adán Gil


