sábado, 19 setembro, 2026
HomeCIÊNCIAO horário das refeições também afeta o cérebro?

O horário das refeições também afeta o cérebro?

Estudo aponta melhor desempenho em testes de planejamento e resolução de problemas, além da perda de peso. As participantes reduziram a janela alimentar para 8 a 9 horas diárias.

Um estudo piloto sugere que concentrar a alimentação em uma janela de até nove horas por dia pode beneficiar certas funções cognitivas em mulheres mais velhas, além dos efeitos já conhecidos da perda de peso. Os resultados foram apresentados durante o NUTRITION 2026, congresso anual da American Society for Nutrition, realizado entre 25 e 28 de julho, nos Estados Unidos.

De acordo com informações do ScienceDaily, o ensaio clínico acompanhou 47 mulheres entre 50 e 79 anos com sobrepeso ou obesidade ao longo de seis meses. Todas receberam orientação para reduzir 500 calorias da dieta diária. Parte delas também foi instruída a concentrar toda a alimentação em menos de nove horas por dia. As demais mantiveram uma janela alimentar de cerca de 12 horas.

Melhor desempenho cognitivo

As mulheres do grupo com restrição de horário consumiram alimentos, em média, entre 10h e 18h. A janela alimentar média desse grupo foi de 8,2 horas por dia, contra 12,3 horas no grupo controle.

Após seis meses, as participantes perderam em média cerca de 15 libras (aproximadamente 6,8 kg). A perda de peso foi semelhante nos dois grupos. Ainda assim, as mulheres que comeram dentro de uma janela de oito a nove horas apresentaram desempenho significativamente melhor em testes de planejamento espacial e resolução de problemas do que aquelas que mantiveram a janela de 12 horas.

O grupo com restrição de horário também tendeu a cometer menos erros em testes de memória e aprendizado, embora essa diferença não tenha atingido significância estatística. Não foram observadas diferenças relevantes entre os grupos nos testes de tempo de reação ou multitarefa.

“Houve um efeito modesto da alimentação com restrição de tempo para melhorar o planejamento espacial e a resolução de problemas e na redução de erros relacionados à memória e ao aprendizado”, afirmou Sue Shapses, PhD, RD, DFASN, professora da Universidade Rutgers e do Rutgers-RWJ Medical Center e investigadora principal do estudo. “Esses resultados sugerem uma melhor capacidade de lembrar informações durante tarefas cotidianas e de reduzir erros relacionados à memória, atenção e resolução de problemas. Reduções na janela alimentar previram maiores melhorias.”

Alzheimer e risco em mulheres

O contexto da pesquisa parte de uma preocupação crescente. O Alzheimer e outras formas de demência tornam-se cada vez mais comuns com o envelhecimento das populações. Mulheres e pessoas com sobrepeso ou obesidade apresentam risco proporcionalmente maior de desenvolver essas condições.

Shapses afirmou que a perda de peso por si já contribui para frear parte do declínio cognitivo associado ao envelhecimento. “Esses dados sugerem que pode haver benefícios adicionais se você parar de comer quatro horas antes de dormir e reduzir a ingestão de alimentos para 8-9 horas por dia, em comparação com a janela alimentar usual de 12 horas por dia”, declarou a pesquisadora.

Limitações e próximos passos

Os próprios pesquisadores afirmam que o ensaio foi pequeno e que estudos maiores serão necessários para confirmar os benefícios cognitivos em uma população mais ampla. Os resultados devem ser tratados como preliminares. Os resumos apresentados no NUTRITION 2026 foram revisados por um comitê de especialistas, mas em geral ainda não passaram pelo processo completo de revisão por pares exigido para publicação em periódico científico.

Pesquisas futuras também investigarão os mecanismos pelos quais o horário das refeições pode afetar o cérebro. Entre as hipóteses estão interações entre o ritmo circadiano, inflamação, saúde metabólica e as vias biológicas que ajudam o organismo a detectar e responder aos nutrientes.

Por: Giz_br

RECOMENDADOS

MAIS POPULAR