Distância é medida por unidades retrorefletoras de lasers munidas de pequenos espelhos, que foram deixados por sondas espaciais e pelos astronautas nas missões Apollo
A Lua está se afastando 3,8 centímetros da Terra a cada ano. Estudar como ela se movem ao longo do tempo pode ajudar os pesquisadores a entender melhor como cada um mudou ao longo dos 4,5 bilhões de anos desde a formação da Terra e da Lua.
Cientistas medem a distância até a Lua refletindo lasers em espelhos colocados ali por sondas espaciais e astronautas nas missões Apollo. A Lua está normalmente a 385.000 km de distância da Terra, mas sua órbita não é um círculo perfeito e muda cerca de 20.000 km à medida que orbita o planeta. Essa mudança é a razão pela qual algumas luas cheias são um pouco maiores que outras, chamadas superluas.
O que explica esse afastamento constante entre a Lua e a Terra é a interação gravitacional entre ambas, combinado com a ação das marés oceânicas. Segundo explica o astrofísico Stephen DiKerby ao Science Alert, a força da gravidade exercida pela Lua é cerca de 4% mais forte no lado da Terra voltado para a Lua, em comparação com o lado oposto do planeta porque a gravidade diminui com a distância.
Essa força gravitacional puxa os oceanos e forma as marés. Esse efeito também gera um atrito entre o planeta e seus mares, criando uma redistribuição de energia. Como consequência, a Terra perde parte de sua rotação e transfere esse momento angular para a Lua.
À medida que a Terra gira, protuberâncias nas águas se movem e continuam apontando para a Lua devido à sua atração gravitacional. A protuberância mais próxima da Lua não está apenas a puxando em direção ao centro da Terra, mas também um pouco à frente em sua órbita – como o impulso que um carro esportivo recebe ao fazer uma curva.
Portanto, a conclusão é que a gravidade da protuberância de maré mais próxima da Terra está puxando a Lua para a frente, o que aumenta o tamanho da órbita lunar. Isso significa que a Lua se afasta um pouco mais da Terra. Esse efeito é muito gradual e, em média, só é detectável ao longo dos anos.
O aumento da distância da Lua afeta a Terra?
A Lua ganha um momento angular orbital à medida que sua órbita aumenta. Pense em girar um peso preso a uma corda. Quanto mais longa a corda, mais momento angular o peso tem e mais difícil é pará-lo.
Como a Terra está fazendo o trabalho de aumentar o momento angular da Lua, a rotação da Terra, por sua vez, desacelera, à medida que seu momento vai para a Lua. Em outras palavras, à medida que o momento orbital da Lua aumenta, o momento rotacional da Terra diminui em troca. Essa troca faz com que o dia fique um pouco mais longo.
Mas isso não é algo preocupante, visto que esses efeitos são muito pequenos: 3,8 cm por ano, comparados a uma distância de 384.000 km, representam apenas 0,00000001% ao ano. Continuaremos tendo eclipses, marés e dias com duração de 24 horas por milhões de anos.
O que acontecerá no futuro?
Segundo o astrofísico, se avançarmos dezenas de bilhões de anos no futuro, eventualmente a rotação da Terra poderá desacelerar até que ela esteja sincronizada com a Lua. Isso significa que levaria o mesmo tempo para a Terra girar quanto a Lua leva para orbitar. Nesse ponto, a Lua pararia de se distanciar e você a veria apenas de um lado da Terra.
Mas duas coisas impedirão que isso aconteça. Primeiro, em cerca de um bilhão de anos, o Sol ficará mais brilhante e evaporará os oceanos. Então, não haverá grandes protuberâncias de água causadas pelas marés para fazer com que a Lua se afaste mais. Alguns bilhões de anos depois, o Sol se expandirá e se tornará uma gigante vermelha, provavelmente destruindo a Terra e a Lua.
Mas esses eventos estão tão distantes que não são passíveis de preocupação agora. Até lá, muita gente ainda vai aproveitar por muitos anos as marés na praia, os eclipses solares e a nossa linda Lua.
Por: Fabiana Rolfini


