domingo, 28 junho, 2026
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James Webb flagra exoplaneta gigante sendo “torrado”

HD 80606 b, quatro vezes maior que Júpiter, esquenta 611 °C em horas durante órbita elíptica ao redor de estrela semelhante ao Sol.

Telescópio Espacial James Webb registrou o exoplaneta HD 80606 b sofrendo um aquecimento extremo enquanto percorre sua órbita altamente elíptica ao redor de uma estrela semelhante ao Sol. Pesquisadores apresentaram o estudo e resultados preliminares durante a 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, nos EUA.

O fato torna HD 80606 b um dos objetos mais extremos já estudados fora do Sistema Solar. A cada passagem próxima à estrela, a temperatura do planeta sobe 611 graus Celsius em questão de horas, segundo os dados do Webb, superando as previsões baseadas em observações anteriores do telescópio Spitzer.

HD 80606 b tem quatro vezes a massa de Júpiter e completa uma órbita a cada 111 dias. Sua trajetória elíptica faz o planeta se aproximar e se afastar dramaticamente da estrela, criando oscilações de temperatura e composição química que os cientistas conseguem monitorar em tempo real. A equipe usou o instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument) do James Webb para observar o planeta antes, durante e depois do periélio, o ponto de maior proximidade com a estrela. Durante esse momento, o planeta também passou atrás da estrela do ponto de vista do Webb, num evento chamado eclipse secundário.

Observações e assinaturas químicas

Os cientistas usaram espectroscopia para medir temperatura e composição química. A técnica decompõe a luz em suas cores componentes, revelando informações sobre propriedades físicas e químicas de objetos no espaço. Com o James Webb, a equipe conseguiu identificar assinaturas específicas de moléculas como metano e dióxido de carbono, algo impossível com o Spitzer.

O planejamento das observações levou anos. A janela ideal para capturar o planeta no periélio exigiu compatibilizar a órbita de 111 dias de HD 80606 b com as restrições operacionais do James Webb, que dependem da posição da Terra em torno do Sol para definir para onde pode apontar em cada época do ano.

Tiffany Kataria, investigadora principal do estudo no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, afirmou que o planeta se destaca mesmo dentro da categoria dos “Júpiteres quentes”, exoplanetas gasosos gigantes que orbitam muito próximos de suas estrelas. “Geralmente pensamos nos Júpiteres quentes como gigantes gasosos quentes bem ao lado de suas estrelas, mas a órbita altamente excêntrica deste planeta cria uma besta completamente diferente”, disse Kataria.

Laura C. Mayorga, co-investigadora e astrônoma de exoplanetas no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, em Laurel, Maryland, afirmou a eficiência científica do alvo. “Observar um planeta como HD 80606 b é na verdade muito eficiente porque sua órbita incomum, com as correspondentes oscilações de temperatura e composição química, nos permite coletar dados sob condições variadas em apenas horas e aplicar essas descobertas a outros Júpiteres quentes ou exoplanetas mais convencionais”, declarou Mayorga.

Legado do Spitzer e próximos passos

O James Webb retoma e aprofunda um trabalho iniciado pelo telescópio Spitzer, já aposentado pela NASA, que realizou as primeiras observações infravermelhas detalhadas de HD 80606 b. O planeta ganhou o apelido de “exoplaneta assado” a partir dessas descobertas e chegou a ser tema de um pôster na série popular da agência.

Ryan Challener, coautor e pesquisador associado do Centro Cornell de Astrofísica e Ciência Planetária, afirmou a progressão entre os dois telescópios. “O Spitzer fez um trabalho incrível neste exoplaneta, e agora o James Webb está construindo sobre esse legado ao nos permitir distinguir assinaturas químicas específicas como metano e dióxido de carbono, o que é um progresso simplesmente incrível”, disse Challener. O pesquisador acrescentou que a equipe está apenas começando a decifrar o conjunto de dados. “Há tanto a aprender com esse conjunto de dados… realmente estamos apenas começando a decifrar o que o Jams Webb tem a nos dizer”, completou.

O James Webb é descrito pela NASA como o principal observatório científico espacial do mundo. O programa é liderado pela NASA em parceria com a ESA (Agência Espacial Europeia) e a CSA (Agência Espacial Canadense).

Imagem: NASA

Fonte: Gov.br

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