quinta-feira, 23 abril, 2026
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James Webb capta nebulosa “em forma de cérebro” ao redor de estrela moribunda

James Webb registra estrutura rara moldada por uma estrela à beira do fim

O telescópio espacial James Webb registrou uma imagem curiosa: uma nebulosa com aparência de cérebro, marcada por duas metades simétricas e por uma faixa escura que corta sua região central.

Conhecida como nebulosa “Exposed Cranium” (ou “Crânio Exposto”), a estrutura foi formada por uma estrela que está se aproximando do fim de sua vida. As novas observações em infravermelho destacam não apenas o formato incomum do objeto, mas também pistas sobre o processo que pode estar esculpindo essa aparência tão peculiar.

Um “cérebro” no espaço

À primeira vista, a nebulosa chama atenção pelo visual. A nuvem de gás parece dividida em duas partes, lembrando os lados esquerdo e direito de um cérebro. Esse efeito vem principalmente de uma faixa escura vertical que atravessa a região central da nebulosa.

É esse detalhe que dá ao objeto sua aparência mais marcante (e também mais estranha).

As imagens obtidas com os instrumentos NIRCam (Câmera de infravermelho próximo) e MIRI (Instrumento de infravermelho médio) do Webb destacam claramente essa divisão central. Em vez de uma nuvem homogênea, o que aparece é uma estrutura separada por uma espécie de “sulco” escuro, reforçando a semelhança com um cérebro suspenso no espaço.

Camadas revelam a história da estrela

Além do formato curioso, a nebulosa mostra sinais claros de diferentes fases de desenvolvimento.

Isso porque existe uma camada externa de gás, expelida antes e composta principalmente por hidrogênio. Mais para dentro, aparece uma região mais complexa, com mistura de gases e estruturas mais detalhadas.

Essas camadas funcionam como um registro da evolução do objeto. Elas refletem a maneira como a estrela central foi perdendo material ao longo do tempo, em etapas sucessivas.

É como observar os anéis de crescimento de uma árvore, mas em escala cósmica e feitos de gás. Cada camada ajuda a contar um pedaço da história de como a estrela se desfez de suas partes externas.

A faixa escura pode ter ligação com jatos poderosos

Um dos pontos mais interessantes das novas imagens é a possibilidade de que a faixa escura central esteja relacionada a um fluxo de material lançado pela estrela.

Segundo a interpretação dos dados do James Webb, essa divisão pode estar conectada a uma erupção ou a um escoamento de matéria vindo do astro central. Esse tipo de processo costuma ser associado a jatos gêmeos, disparados em direções opostas.

Os sinais dessa atividade aparecem de forma visível perto da parte superior da nebulosa na imagem do MIRI, onde o gás da região interna parece estar sendo empurrado para fora.

Esse detalhe é importante porque indica que a nebulosa pode não estar sendo moldada apenas pela ejeção lenta de gás. Também pode haver um mecanismo mais direcionado e energético interferindo em sua forma.

Em termos simples, não seria apenas uma estrela “soltando” material no espaço, mas também um sistema em que jatos ajudam a esculpir a nuvem e a abrir caminhos no gás ao redor.

Um retrato de um momento breve e dramático

Embora ainda existam incertezas sobre o objeto, os cientistas já sabem que ele está sendo moldado por uma estrela em seus estágios finais.

Nessa fase, a estrela perde suas camadas externas e as lança no espaço. Embora isso possa soar como um processo lento, trata-se de algo relativamente rápido em escala cósmica.

Por que esse tipo de imagem importa

Nebulosas como essa são valiosas porque ajudam a mostrar como estrelas devolvem material ao espaço no fim da vida. Isso faz da nebulosa uma espécie de laboratório natural para observar um processo estelar em andamento.

O interesse não está apenas no formato incomum. Está no que esse formato revela sobre dinâmica, ejeção de matéria e transformação de uma estrela prestes a encerrar seu ciclo.

O James Webb foi projetado para investigar objetos do Sistema Solar, examinar planetas em torno de outras estrelas e explorar as origens e a estrutura de galáxias ao longo da história cósmica.

Neste caso, ele foi usado para registrar um objeto ligado à evolução estelar, mostrando como o telescópio também é uma ferramenta poderosa para acompanhar processos de transformação em escalas mais “próximas” da astronomia, não apenas galáxias distantes e o Universo primitivo.

O observatório é uma colaboração internacional liderada pela NASA, em parceria com a ESA (Agência Espacial Europeia) e a CSA (Agência Espacial Canadense).

Imagem: NASA/ESA/CSA/Reprodução

Por: Hemerson Brandão

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