Empresa aposta em agentes orquestradores e parcerias com empresas como OpenAI e Anthropic em vez do desenvolvimento de modelos fundamentais
A IBM quer mudar o eixo da inteligência artificial corporativa. Depois de dois anos dominados pela corrida por modelos fundacionais, protagonizada pela OpenAI e mais recentemente a Anthropic, a empresa defende que o próximo ciclo será definido pela capacidade de operar IA em escala dentro das organizações.
Essa é a base do conceito apresentado no Think 2026, comunicado global da empresa ao mercado sobre o que chamou de “AI Operating Model”. A proposta é tratar a IA não como um conjunto de projetos isolados, mas como um sistema integrado sustentado por quatro pilares: dados, agentes, automação e infraestrutura híbrida.
A leitura da companhia parte de um diagnóstico de que, apesar do volume de investimento, poucas empresas conseguiram levar a IA para o centro do negócio. “A maioria ainda está na fase de experimentação”, indicou o CEO global da IBM, Arvind Krishna.
Segundo ele, o potencial econômico é significativo. Empresas que conseguirem avançar podem atingir até 40% de ganho de produtividade até 2030, mas o impacto mais relevante deve vir da criação de novas receitas e modelos de negócio.
O gargalo, porém, continua sendo estrutural: mais de 70% dos dados corporativos ainda estão dentro das empresas, distribuídos em sistemas legados e ambientes fragmentados. “Você precisa atuar onde os dados estão”, afirmou Krishna, reforçando a importância da estratégia de nuvem híbrida.
O movimento da IBM é também uma tomada de posição no debate sobre o futuro da IA. Em vez de competir diretamente com empresas como OpenAI e Anthropic na criação de modelos, a companhia aposta em uma camada acima: a orquestração.
“Cada era da tecnologia começa com infraestrutura, passa pelos modelos e, no fim, o valor está nas aplicações”, disse Krishna. “É onde está 10 vezes mais valor.”
A analogia usada por Rob Thomas, VP Senior de Software e CCO, reforça essa leitura. Para ele, a IA atual ainda se parece com o uso inicial da eletricidade: útil, mas limitado. “O que de fato gera valor é quando você aplica isso aos processos centrais, como uma linha de montagem”, afirmou.
Na prática, a empresa argumenta que ferramentas como copilotos e chatbots representam apenas os primeiros 20% do valor possível. O restante depende de integração profunda com processos, dados e operações.
Agentes como nova camada de software
O principal bloco de anúncios reforça essa visão. A IBM está apostando que o futuro da IA corporativa será multiagente, com sistemas compostos por milhares de agentes especializados trabalhando de forma coordenada.
Nesse contexto, a empresa lança globalmente nesta terça-feira (5) o watsonx Orchestrate, um agente “orquestrador” que passa a funcionar como uma espécie de “plano de controle” para esses sistemas, permitindo gerenciar, auditar e governar agentes de diferentes origens.
A empresa também lançou o IBM Bob, um copiloto voltado ao desenvolvimento corporativo, com foco em segurança, controle de custos e operação em ambientes híbridos, incluindo mainframes. Internamente, a ferramenta já é usada por mais de 80 mil desenvolvedores, com ganho de produtividade de até 45%, segundo a companhia. A partir de agora, os dois agentes estarão disponíveis para os clientes globais da companhia.
Outro eixo discutido durante o anúncio foi sobre a automação de operações. Com a proposta de substituir processos manuais (historicamente baseados em análise humana) por sistemas autônomos com supervisão, a empresa anunciou as plataforma Concerts, que terá o objetivo de consolidar dados de infraestrutura, aplicações e custos em uma única camada, permitindo decisões automatizadas em tempo real; e a Concert Secure Coder, que aplica IA diretamente na identificação e correção de vulnerabilidades de código.
Outro tema que ganha força é o da “IA soberana”. A empresa reforçou que passará a atender cada vez mais governos e setores regulados que precisam manter controle total sobre dados e operações.
A proposta é embutir regras de governança diretamente na infraestrutura, evitando dependência de configurações externas. “Nosso papel é permitir que as empresas operem IA com maior segurança, garantindo que os dados não sejam expostos e que haja controle sobre o que está acontecendo”, afirmou Arvind Krishna.
Por: Rennan Julio


