Em entrevista, o comissário do maior campeonato de basquete do mundo, Adam Silver, revelou planos para automatizar marcações de linha usando inteligência artificial; medida busca mitigar erros que têm gerado polêmica nos playoffs
Os playoffs da temporada 2025-2026 da NBA, a liga de basquete dos Estados Unidos, têm sido marcados por debates sobre a qualidade da arbitragem. Na última semana, por exemplo, durante o Jogo 5 dos playoffs entre Oklahoma City Thunder e San Antonio Spurs, os juízes cometeram um erro grave em uma marcação de bola fora de quadra na metade final do confronto. Para piorar, a equipe de árbitros se recusou a reverter a decisão mesmo após se reunir para revisar o lance no monitor de vídeo.
Em meio à crise, o comissário e chefe-executivo da liga, Adam Silver, anunciou planos para implementar um sistema automatizado de inteligência artificial projetado para assumir “decisões objetivas” como a marcação de bolas que saem das linhas laterais e do fundo da quadra.
De acordo com o Futurism, as declarações do mandatário foram feitas durante o programa esportivo norte-americano Pat McAfee Show, onde Silver usou as polêmicas recentes da pós-temporada como pretexto para introduzir a tecnologia no jogo.
IA na quadra
Silver planeja adotar um modelo inspirado no circuito mundial de tênis. Ele defendeu os profissionais atuais, mas apontou a automação como o caminho ideal para os lances de linha: “Nós vamos mudar para um sistema como esse, onde toda essa categoria de chamadas será automática.”
O comissário se referia ao Hawk-Eye (Olho de Falcão), um sistema de câmeras de alta velocidade de propriedade da Sony, já amplamente utilizado para decisões milimétricas em modalidades como o próprio tênis, mas também no futebol, beisebol e críquete.
“Essas chamadas serão feitas por um sistema automatizado de IA, com câmeras alinhadas ao redor da quadra, e isso tirará todas essas chamadas ditas objetivas das mãos dos árbitros”, explicou Silver. “Será simplesmente instantâneo, será automático.” Até o momento, não há confirmação se o sistema estreará já na temporada 2026-2027.
Medida desperta resistência
Embora o objetivo da liga seja liberar os árbitros humanos para focarem estritamente nas infrações físicas, a novidade gerou forte rejeição em parte da comunidade do basquete.
Fãs argumentam que o espetáculo perde a essência com o excesso de tecnologia, e que os juízes deveriam apenas ser cobrados para seguir as regras existentes e admitir seus erros. Na rede social X, as reações foram imediatas.
“Não importa o quanto eu reclame dos juízes, eu não quero IA no meu jogo de basquete”, desabafou um torcedor do Los Angeles Lakers.
O escritor e torcedor do New York Knicks, Noah Kulwin, foi ainda mais incisivo ao se manifestar na plataforma: “É como se tudo o que ele diz fosse feito para diminuir a confiança no produto.”
*Com supervisão de Rennan Julio
Por: Felipe Medeiros*


