Relatório da Anthropic propõe medidas urgentes para ampliar infraestrutura energética e regulatória nos EUA, diante do avanço acelerado da China em IA.
Conforme a corrida global pela liderança em Inteligência Artificial (IA) se intensifica, a Anthropic, uma das principais empresas americanas do setor, publicou um relatório contundente. Nele, a empresa aponta que os Estados Unidos só manterão sua posição de liderança se realizarem investimentos substanciais capacidade computacional e eletricidade que possibilitem o desenvolvimento da IA.
Intitulado Build AI in America, o documento apresenta um conjunto de recomendações de políticas públicas para garantir que o país esteja preparado para o futuro da IA. Um futuro que, segundo a empresa, só poderá ser construído se houver uma ação decisiva e imediata por parte do governo e da iniciativa privada.
“Os avanços em IA, impulsionados por empresas americanas de ponta, estão remodelando nossa economia e sociedade. Na Anthropic, vemos nossos modelos de IA sendo usados diariamente por empresas, cientistas, educadores, governos e outros americanos – de maneiras que tornam os trabalhadores mais produtivos, nossa economia mais próspera e nossa nação mais segura”, destaca o relatório.
O desafio energético
O relatório destaca que o treinamento de modelos de IA de ponta exige acesso contínuo a fontes de energia firmes e confiáveis. Assim, poderão operar com eficácia no desenvolvimento de modelos de última geração. Nesse cenário, segundo projeções da Anthropic, a demanda elétrica apenas para o treinamento de seus modelos poderá chegar a 2 gigawatts (GW) em 2027 e 5 GW em 2028.
Considerando outras empresas norte-americanas envolvidas no desenvolvimento de IA de fronteira, a expectativa é de que o setor consuma entre 20 e 25 GW até 2028. O número é equivalente ao dobro da demanda máxima de eletricidade da cidade de Nova York. E isso apenas para o treinamento dos modelos; o consumo adicional para inferência (uso diário dos sistemas) deve exigir outros 25 GW, totalizando uma necessidade de pelo menos 50 GW nos próximos três anos.
Enquanto isso, a China avança rapidamente. Apenas em 2023, o país adicionou mais de 400 GW de capacidade energética à sua rede, enquanto os EUA ficaram restritos a algumas dezenas de gigawatts. “Essa disparidade é especialmente preocupante no contexto do desenvolvimento de IA”, aponta o relatório.
Ações recomendadas
O documento divide suas recomendações em dois pilares principais: a construção de uma infraestrutura de treinamento em larga escala e a ampliação da infraestrutura energética e digital em todo o país para permitir a difusão da IA em múltiplos setores.
Pilar 1 e a infraestrutura de treinamento de IA
A proposta da Anthropic inclui o uso de terras federais para a instalação de centros de dados. Assim, é possível evitar que os processos de licenciamento estadual e local levem anos. Também sugere acelerar os trâmites regulatórios da Lei de Política Ambiental Nacional (NEPA) e estabelecer parcerias com o setor privado para construir e modernizar linhas de energia. Além disso, propõe apoio direto às concessionárias para acelerar a interconexão à rede elétrica, inclusive com o uso de IA para aumentar a eficiência desses processos.
Pilar 2 e a infraestrutura ampla para inovação em IA
Esse pilar envolve ações estruturantes em áreas como geração de energia, cadeias de suprimento e formação de mão de obra. Entre as propostas estão: acelerar licenças para exploração de energia geotérmica, gás natural e nuclear; criar Corredores de Transmissão Elétrica de Interesse Nacional; expandir a produção doméstica de componentes críticos da rede e turbinas a gás; e fomentar programas de capacitação para eletricistas, trabalhadores da construção civil e profissionais de energia crítica.
“Os Estados Unidos têm a força econômica, a proeza técnica e o espírito inovador necessários para enfrentar os desafios de infraestrutura da IA. Nossas recomendações oferecem um modelo prático que utiliza as autoridades federais existentes, ao mesmo tempo em que eliminam barreiras regulatórias que têm impedido o desenvolvimento energético por muito tempo”, frisa o estudo.
A hora de agir é agora
Nos últimos dias, o governo dos EUA adotou medidas importantes para remover barreiras, definindo metas ambiciosas de energia nuclear e acelerando as revisões da NEPA. Porém, a Anthropic destaca que, apesar disso, elas ainda são insuficientes diante do ritmo acelerado de expansão da infraestrutura chinesa. É preciso acelerar processos de licenciamento, investir em tecnologias emergentes (como energia geotérmica de próxima geração e nucleares avançadas) e articular políticas públicas para impulsionar projetos estratégicos.
A Anthropic argumenta ainda que, ao apoiar esse modelo de expansão, os formuladores de políticas públicas terão a oportunidade de manter os custos baixos para os contribuintes. Isso poderia ser feito tanto por meio de ajustes nas autoridades regulatórias quanto pela ampliação da oferta geral de energia. Além disso, o documento propõe a criação de reservas estratégicas de componentes críticos da rede e turbinas a gás e a expansão dos programas de treinamento técnico.
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Por: Jessica Chalegra


