O Projeto Duas Safras tem o intuito de contribuir para o crescimento e desenvolvimento socioeconômico do Estado, a partir da integração funcional entre a produção agrícola e a pecuária. Ele é desenvolvido pela Embrapa, o Sistema Farsul e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Em entrevista ao Grupo Diário da Manhã, o chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Trigo, Giovani Stefani Faé, destacou sobre a importância de trazer projetos como esse para o produtor rural, no qual ele pode aproveitar sua propriedade durante todo o ano, além de gerar renda para ele e também para o Estado.
“Hoje, no Estado, nós temos em valor bruto de produção de aproximadamente 1,1 safra, ou seja, utilizando esse indicador a gente aproveita para a produção de grãos apenas 10% do que temos disponível no inverno. A Embrapa dentro do projeto Duas Safras, visa organizar junto com os sindicatos rurais, dez fóruns regionais, para levar essas tecnologias a todo o Estado. É uma forma de trazer estabilidade produtiva, melhor proteção ambiental, qualidade de vida para o produtor no inverno e buscando aproveitar essa oportunidade ambiental que a gente tem disponível”, esclarece Giovani.
Somado a isso está o fato de que as áreas baixas têm poucas oportunidades para uma safra de inverno. “Levando tecnologias de manejo da água com o projeto sulco/camalhão, a gente vai possibilitar diversificar tanto o verão trazendo a soja e o milho com maior produtividade, mas também viabilizando a produção do cereal de inverno nessas áreas baixas”.
Giovani explica que com uma maior produção nas culturas de inverno, haverá mais matéria-prima para as indústrias de proteína animal, consequentemente, aumenta sua competividade. “Hoje a gente está dependente exclusivamente desse milho que vem do Mato Grosso. A gente produz a metade do que precisa para atender essa indústria de proteína animal, então da mesma forma que a gente vai trazer essa otimização de área, temos a oportunidade para produzir uma segunda e até uma terceira safra em alguns casos”, pontua.
Cultura de inverno na região
De acordo com o chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Trigo, a principal cultura de inverno para gerar renda na região do Planalto Médio é o trigo, contudo ainda é necessário mostrar ao produtor que esse tipo de cultivo é rentável e tem liquidez.
“Há pouco tempo atrás à gente acabava ficando muito dependente da indústria moageira a entregar esse cereal e hoje a gente o vê sendo valorizado e tendendo cada vez mais a bonificar o produtor por isso. Nesse ano, o Brasil exportou três milhões de toneladas, isso é um pouco menos do que a gente produz. O Rio Grande do Sul exportou aproximadamente dois milhões de toneladas, então já dá aproximadamente dois terços”, detalha Giovani.
Para ele, cabe demonstrar ao produtor o potencial de rentabilidade do trigo que pode ser maior que o do leite e até da soja, quando este está associado à tecnologia e ao bom manejo da cultura. “Acredito que o produtor está trazendo essa planta de cobertura de serviço e que pode ter uma renda superior nesse período do que ele consegue na soja. São objetivos importantes que tenho certeza que o Duas Safras vai levar para o campo”, enfatiza.
Sulco/Camalhão
Giovani explica que o sulco/camalhão de base larga é capaz de drenar a água tornando-se uma tecnologia barata para essas áreas baixas.
“O sulco/camalhão é uma tecnologia que a Embrapa aprendeu dos Estados Unidos e adaptou para nossa situação. Na nossa condição aqui do Planalto Médio não há condições que necessitem disso, mas ele começa a se tornar a oportunidade para o Estado, pois vai ter aproximadamente três milhões de hectares que podem ser intensificados através de tecnologias como essa porque ajuda a retirar água”, destaca.
Por outro lado, ele comenta que também há o sulco/camalhão capaz de fazer a irrigação no verão, o que levou a produtividade do milho chegar próximo a 200 sacas por hectare devido a essa tecnologia.
Crédito para o produtor
O chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Trigo comenta que os bancos observam com bons olhos o Duas Safras. Segundo ele, nos fóruns regionais que devem acontecer nesse final de maio será demonstrado toda a capacidade dessa tecnologia que potencializa uma segunda safra.
“Para o time de economista da Farsul, a gente tem condições de injetar no Estado um montante que representa mais que todo PIB de alguns estados da federação. Também tem alguns estudos do autor Bonelli que nos mostram que para cada um real que a gente injeta na renda agropecuária 67 centavos é injetado na renda da prefeitura e 1,07 é injetado do na renda não agropecuária, então é extremamente significativo”, finaliza Giovani.
Fonte: diariodamanha.com






