El Niño de 2026 já supera 2°C no Pacífico e pode se tornar o mais forte já registrado, surpreendendo cientistas pelo ritmo
O El Niño de 2026 está ganhando força em ritmo incomum e pode superar o evento de 1997/98, um dos mais intensos já registrados. Cientistas alertam que ainda é difícil prever a dimensão dos impactos.
Segundo o IFLScience, o fenômeno já ultrapassou o nível considerado de “super El Niño”, aumentando o risco de ondas de calor, secas, enchentes e problemas para a agricultura em diferentes regiões.
Aquecimento avança em ritmo incomum
O El Niño acontece quando as águas do Pacífico tropical central e oriental ficam mais quentes que o normal. Ele integra o ciclo ENSO, que também inclui a La Niña e períodos neutros.
A classificação ocorre quando a temperatura da superfície do mar nessa região fica pelo menos 0,5 °C acima da média de longo prazo. Esse limite foi ultrapassado no início de junho, como previsto pelos modelos.
O ritmo do aquecimento, porém, chama atenção. Na primeira semana de agosto, as temperaturas no Pacífico oriental estavam 2,6 °C acima do normal.
É impressionante a rapidez com que o evento está se desenvolvendo e a força que já alcançou.Zeke Hausfather, cientista climático da Berkeley Earth, à IFLScience.
O que pode acontecer pelo mundo?
Se a tendência continuar, o fenômeno poderá se tornar o El Niño mais intenso já registrado, com pico previsto para o fim de 2026. O principal efeito é o aumento das temperaturas globais, mas a influência vai além do calor.
Entre os impactos estão:
- ondas de calor mais frequentes;
- mudanças nos padrões de chuva;
- maior risco de secas;
- chuvas intensas e enchentes;
- prejuízos para a produção agrícola.
Indonésia, Sudeste Asiático, leste da Austrália, sul da África, norte da Amazônia e Índia tendem a ter condições mais secas e monções mais fracas. Para Hausfather, esse é um dos pontos mais preocupantes pelo possível impacto nas colheitas.
O El Niño de 1997/98 mostrou o tamanho desse risco. Na ocasião, milhares de pessoas morreram em diferentes partes do mundo em decorrência de enchentes, secas, fome, incêndios, calor extremo e surtos de doenças.

Por que este El Niño preocupa tanto?
Ainda não é possível dizer se 2026 terá consequências tão graves quanto 1997/98. Os cientistas acompanham um comportamento que foge dos padrões conhecidos.
“Esse evento está tão fora de tudo que já experimentamos”, afirmou Hausfather, que defende a preparação antecipada, especialmente nos países tropicais.
Há outro complicador: o planeta está mais quente hoje por causa das mudanças climáticas. Por isso, comparar diretamente o cenário atual com eventos antigos pode esconder diferenças importantes.
Hausfather lembra que 1998 foi considerado um ano excepcionalmente quente na época, mas seria relativamente frio pelos padrões atuais. Segundo ele, todos os anos desde 2011 foram mais quentes que 1998.
Nesse contexto, o El Niño não deve ser tratado como explicação isolada para os extremos climáticos. Para o cientista, o fenômeno pode funcionar como uma espécie de prévia de condições que tendem a se tornar mais comuns no futuro.
O comportamento observado em 2026 ainda pode mudar. Mesmo assim, a velocidade e a intensidade do aquecimento já colocam o fenômeno em uma categoria incomum e reforçam a preocupação com possíveis impactos climáticos e agrícolas.
Por: Valdir Antonelli


