quinta-feira, 23 abril, 2026
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Egito encontra cidade perdida de 2 mil anos embaixo d’água

Arqueólogos descobriram também a fragilidade de Alexandria, que pode afundar daqui a 25 anos.

No Egito, arqueólogos encontraram relíquias impressionantes de Canopo, antiga cidade perdida há mais de dois mil anos debaixo d’água.

A cidade ficava onde hoje é um sítio arqueológico na baía Abu Qir, próximo à Alexandria. Na última quinta-feira (21), os arqueólogos resgataram estátuas, elementos arquitetônicos e artefatos marítimos que datam tanto do período romano quanto do ptolomaico.

A recente descoberta, que faz parte da Convenção de 2001 da Unesco para preservação do patrimônio cultural submerso, expandiu o conhecimento sobre a cidade e a escavação debaixo d’água marca a primeira operação deste tipo do Egito.

De acordo com o Ministério de Antiguidades do Egito, mergulhadores localizaram os objetos e ajudaram a trazê-los à superfície utilizando guindastes. Além disso, o ministério revelou que o tesouro encontrado na escavação inclui templos de calcário.

Os artefatos oferecem uma rara perspectiva sobre o cotidiano de uma cidade no Egito que ficou debaixo d’água por terremotos e a elevação do nível do mar.

Imagem: Ministério de Antiguidades e Turismo do Egito/Divulgação

Contudo, as descobertas mais relevantes foram esfinges e estátuas de figuras reais, incluindo uma de Ramsés II e uma estatueta de granito de um membro da dinastia ptolomaica.

Entre as relíquias marítimas, os arqueólogos encontraram um navio mercante, âncoras de pedra e um guindaste portuário de roda dentada do período bizantino.

Veja:

Apesar dos artefatos da cidade perdida debaixo d’água, o Egito critica o critério da UNESCO para recuperação dos itens, ressaltando que vários artefatos de mais de dois mil anos ficarão submersos.

Sherif Farthi, Ministro de Turismo e Antiguidades do Egito enfatiza que o sítio, devido às diretrizes da UNESCO, é parte do “patrimônio submerso” do Egito.

O Museu Nacional de Alexandria exibirá algumas das relíquias e planeja criar uma galeria para artefatos submersos, ou até um museu no fundo do mar. Isso porque a baía de Abu Qir é riquíssima no sentido arqueológico.

No entanto, além das relíquias da cidade, os arqueólogos descobriram também a fragilidade de Alexandria, uma das principais cidades do Egito.

Anualmente, devido à erosão costeira, o aumento do nível do mar e a infiltração de água salgada, a cidade afunda mais de três milímetros. Isso coloca em risco os sítios arqueológicos e a infraestrutura moderna. Isso porque estudos sugerem que um terço da cidade estará debaixo d’água até 2050.

Para não ter mais uma cidade debaixo d’água, o Egito se juntou a especialistas dos Países Baixos para desenvolver uma iniciativa de Gestão Antecipatória de Inundação, visando proteger o litoral com os mesmos sistemas do país europeu.

Por: Pablo Nogueira

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