quinta-feira, 23 abril, 2026
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Ecossistema de inovação na América Latina recupera bom momento com capital, talentos e ambiente regulatório favorável

É o que aponta estudo da gestora Atlantico divulgado nesta quinta-feira (11) durante o evento Cubo Conecta em São Paulo; valor gerado por empresas tech na região em 10 anos pode chegar a US$ 1,5 trilhão

Depois de altos e baixos nos últimos anos, 2025 traz um cenário muito positivo para o ecossistema de inovação na América Latina, segundo a gestora de venture capital focada em early-stage Atlantico. Nesta quinta-feira (11), a gestora divulgou seu estudo anual Latin America Digital Transformation 2025, em sua sexta edição, durante o evento Cubo Conecta realizado em São Paulo pelo Cubo Itaú.

Um dos principais insights levantados por Ana Martins, sócia da Atlantico, é que neste ano, pontos de fricção que frearam o desenvolvimento do ecossistema na região nos últimos anos como capital financeiro, capital humano e regulação, em 2025 voltam a crescer, acelerando a inovação.

Segundo ela, apesar da volatilidade de 2021 e 2022, a América Latina voltou a atrair mais capital. O Brasil, por exemplo, tem atualmente cerca de US$ 3 bilhões em dry powder – recursos já captados por fundos, mas ainda não investidos – quase um nível recorde histórico.

“Temos escutado de fundadores de startups que eles ainda sentem que os fundos de venture capital estão investindo um pouco menos. E a razão, talvez, para esse sentimento não é a falta de capital, mas é que o ritmo de alocação desse dinheiro tem sido um pouco mais lento e seletivo. Mas o ponto principal é que esse dinheiro existe e é um nível de capital muito bom, muito saudável para o nosso sistema continuar a crescer”, diz Martins.

Comparado com benchmarks globais, o estudo mostra que a América Latina tem performado melhor do que a maioria das regiões do mundo, inclusive os Estados Unidos – hoje, 20% dos fundos da região que já geraram retorno em venture capital estão no top 5 globais.

A projeção futura também é otimista. Para os próximos 10 anos, a gestora espera algo entre US$ 300 bilhões (R$ 1,6 trilhão) e US$ 1,5 trilhão (R$ 8 trilhões) de valor gerado apenas por empresas de tecnologia na América Latina.

Capital humano precisa de tempo

Durante sua apresentação, Martins ressaltou que muitos investidores e fundos que investem na região ainda se perguntam o que falta para atingir o catch-up – fase em que o gestor “alcança” sua compensação de desempenho depois que os investidores receberam o capital inicial e o retorno preferencial.

“O que sempre respondemos é que precisamos de tempo. O dinheiro, ele vem e vai, mas o capital humano demora um pouco para se desenvolver. Por exemplo, um engenheiro de software que se forma na faculdade e vai trabalhar em uma grande empresa de tecnologia, ele precisa adquirir experiência, passar por uma jornada em que ele atinge um nível de senioridade e então decidir se abre a própria empresa. São ciclos de 10 a 15 anos”, enfatiza ela.

A boa notícia é que o capital humano está em um “ponto de inflexão” e que o ciclo de formação de talentos de tecnologia está começando a mostrar resultados na América Latina. “É importante lembrar que o capital humano, ele traz o capital financeiro e o capital financeiro, ele atrai o capital humano. Então, é um ciclo virtuoso que a gente está fomentando”.

Adoção da IA nas empresas

No recorte sobre a adoção da inteligência artificial nas empresas, ela está crescendo, porém é desigual em diferentes áreas. A adoção da IA é muito presente em programação, mas menos usada no engajamento ao cliente, em vendas e na área de recursos humanos, por exemplo.

“É interessante notar que, à medida que as pessoas adotam essa tecnologia, a produtividade sobe muito. E o impacto disso é muito maior em uma economia emergente como o Brasil do que em uma economia como os Estados Unidos. Então, mesmo que hoje isso seja desigual entre as áreas e essa adoção ainda esteja crescendo, o pouco de adoção que a gente tem já gera um ganho de produtividade muito grande dentro das empresas”, avalia a executiva.

O estudo revela ainda que 30% das startups na América Latina se dizem AI-native, 41% são AI-enhanced (possuem aplicações com IA), enquanto outras 22% são assistidas por IA e 7% se consideram AI-curious.

Regulação para acelerar a inovação

Outro fator que pode ter um impacto muito grande em acelerar a inovação no ecossistema da região, especialmente no Brasil, é a regulação. Martins reforça que, nesse sentido, projetos como o Pix, o Open Finance e o Drex, têm feito a diferença.

“O Brasil é o primeiro país do mundo que tem um CBDC, um Central Currency do Banco Central, não só como uma forma de pagamento, mas, de fato, como uma infraestrutura para mudar o nosso sistema financeiro. E os problemas de desenvolver isso, como a privacidade e a programabilidade, existem, e por isso o Drex ainda não foi lançado publicamente, mas somos o primeiro país do mundo a lidar com esses problemas. Então é algo que outros países vão lidar e a gente está realmente muito à frente dessa corrida para mudar como funciona o nosso ecossistema financeiro. Enquanto o Drex não sai, do outro lado, as empresas estão dando o seu jeito de inovar e de começar a impulsionar a tokenização da economia”, acrescenta.

Por: Fabiana Rolfini

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