terça-feira, 25 agosto, 2026
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Discord recorre à ANPD para reverter suspensão de lives no Brasil

Plataforma questiona competência da agência e afirma que o ECA Digital reserva bloqueios de serviços à Justiça.

O Discord recorreu, nesta quarta-feira (24/08), da decisão da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que suspendeu transmissões ao vivo e compartilhamento de tela dentro da plataforma no Brasil. O recurso administrativo pede a suspensão imediata da medida enquanto o processo de fiscalização continua.

A plataforma contesta a competência da ANPD para determinar o bloqueio e afirma que uma suspensão temporária do serviço dependeria de ordem judicial. A restrição entrou em vigor em 17 de agosto, sob previsão de multas diárias que poderiam chegar a R$ 50 milhões por infração. Na análise técnica, a ANPD apontou que identificou fragilidades nos mecanismos de verificação de idade.

A medida foi tomada após a morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí (MS), em um caso envolvendo uma rede de ódio, segundo a Polícia Civil.

ANPD não teria competência para o bloqueio

Captura de tela mostra a página web da ANPD
ANPD não teria competência para pedir o bloqueio, segundo defesa (imagem: reprodução)

De acordo com a defesa, a agência ultrapassou os limites em que poderia ter agido dentro do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).

Discord reconhece que o decreto nº 12.622/2025 dá à agência o poder de aplicar advertências e multas por infrações, mas afirma que é o Poder Judiciário quem tem a competência para solicitar as penalidades. “O sistema estabelece a ANPD como executora de decisões judiciais […], jamais como autora delas”, ressalta o texto, visualizado pelo Tecnoblog.

A defesa também afirma que uma medida com impacto sobre milhões de usuários não poderia ser determinada pelo Superintendente de Fiscalização sozinho. O argumento é baseado na Lei nº 13.848/2019, que prevê deliberação do Conselho Diretor para decisões de maior impacto dentro das agências reguladoras.

Além disso, o Discord alega que a medida acabou funcionando como uma antecipação de uma seção, já que o bloqueio foi imposto antes da conclusão do processo.

Empresa contesta dados apresentados

Ilustração do Watch Together do Discord
Plataforma questiona dados apresentados pela ANPD (imagem: divulgação/Discord)

O Discord também quesitona parte dos dados apresentados pela agência na análise que ocorreu antes da suspensão. Segundo o recurso:

  • A agência teria informado que a adolescente transmitiu para “mais de duzentos usuários”. O Discord afirma que o servidor privado teve 51 contas únicas ao longo de aproximadamente duas horas e que não se tratava de uma audiência pública simultânea.
  • A empresa contesta a conclusão de que o protocolodo Discord Audio-Visual Encyption (DAVE) teria sido adotado para dificultar a fiscalização após a entrada em vigor do ECA Digital. Segundo a defesa, o protocolo foi anunciado em setembro de 2024, e seu cronograma de implementação para março de 2026 já havia sido divulgado em setembro de 2025.
  • O Discord afirma que recebeu da ANPD, em 7 de agosto, 13 questionamentos técnicos com prazo de resposta até 14 de agosto. A ordem de suspensão, porém, teria sido emitida em 12 de agosto, antes do encerramento desse prazo.

Bloqueio continua no Discord

A ANPD confirmou o recebimento do recurso, de acordo com o G1, e deverá analisar os argumentos apresentados pelo Discord dentro do processo administrativo.

Enquanto não houver nova decisão, a suspensão continua valendo no Brasil. Os usuários continuam podendo usar outros recursos na plataforma que não foram citados pela medida.

Por: Felipe Faustino

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