Nos últimos anos, a pauta ESG ganhou espaço em conselhos de administração, relatórios anuais, apresentações de investidores e campanhas de marketing. ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance (ou Ambiental, Social e Governança). Em outras palavras, é um conjunto de critérios que avalia como uma empresa lida com sua responsabilidade ambiental (como gestão de recursos e emissão de carbono), com questões sociais (como diversidade, inclusão e impacto comunitário) e com a governança (como ética, transparência e gestão responsável).
O tema deixou de ser apenas tendência: tornou-se uma cobrança real de consumidores, investidores e da sociedade. No entanto, ainda há um grande desafio: muitas empresas se concentram em discursos e relatórios bem elaborados, mas não conseguem transformar compromissos em impacto concreto nos territórios onde atuam.
Segundo um estudo da PwC, 83% dos investidores afirmam que as empresas devem reportar mais informações sobre ESG. No entanto, apenas 33% confiam na veracidade desses dados. Esse abismo entre o que se promete e o que se entrega alimenta fenômenos como o greenwashing e o impact washing.
Quando o discurso vira maquiagem: o que são greenwashing e impact washing
O termo greenwashing (em português, “lavagem verde”) surgiu para descrever quando empresas fazem campanhas de marketing ambientalmente responsáveis sem que isso corresponda a mudanças reais em seus processos. É como pintar de verde uma prática que continua sendo poluidora ou insustentável. Um exemplo comum é quando uma empresa anuncia embalagens recicláveis, mas mantém toda a sua produção baseada em matérias-primas altamente nocivas ao meio ambiente.
Já o impact washing é uma evolução desse mesmo problema: trata-se de organizações que se apropriam do discurso do impacto social positivo, mas sem comprovar que suas ações realmente geram transformação. Em vez de gerar oportunidades ou melhorar a vida das pessoas, limitam-se a produzir relatórios ou campanhas de comunicação com resultados pouco ou nada consistentes.
Esses dois fenômenos ajudam a entender por que o público e investidores desconfiam tanto do que é dito. A edição de 2023 do Edelman Trust Barometer, pesquisa que estuda confiança, mostrou que apenas 52% da população global acredita que as empresas realmente cumprem os compromissos anunciados em relação a causas sociais e ambientais. E, quando a confiança está em jogo, não há mercado sustentável a longo prazo.
Da apresentação bonita à realidade: como transformar compromissos em prática
O primeiro passo é reconhecer que ESG não é um departamento isolado ou uma agenda paralela, mas parte da estratégia central de negócios. Impacto não pode ser apenas marketing. Precisa estar atrelado ao core business, a indicadores claros e a metas que orientem o dia a dia da organização.
Um recurso poderoso para isso é a Teoria de Mudança, uma ferramenta que ajuda organizações a definir claramente quais transformações querem gerar na sociedade, quais etapas precisam cumprir para chegar lá e como mensurar resultados reais. Quando uma empresa estrutura sua atuação a partir dessa lógica, o impacto deixa de ser retórico e passa a ser estratégico, intencional e verificável.
Alguns caminhos possíveis precisam considerar:
- Governança: definir metas de impacto ligadas à performance da empresa e comunicá-las com transparência.
- Social: investir em programas que fortaleçam comunidades locais, em vez de apenas ações pontuais de filantropia.
- Ambiental: adotar metas baseadas em ciência e medir de fato a redução da pegada de carbono.
No Impact Hub Cuiabá, ajudamos empresas a gerar impacto positivo a partir de ações que realmente façam diferença no território. Uma das nossas iniciativas é o Programa Catar, que conecta municípios, cooperativas, catadores autônomos, empresas e sociedade civil para gerar uma economia circular justa, inclusiva e regenerativa. Em vez de ficar restrito ao discurso, o Programa Catar promove ações reais com impacto direto nas comunidades e no meio ambiente.
O contexto mostra a urgência dessa pauta: apenas 58,5% dos resíduos sólidos urbanos têm destinação adequada, o restante (41,5%) vai para lixões ou aterros. Além disso, o Brasil recicla apenas 4% dos resíduos sólidos urbanos, desperdiçando recursos que poderiam movimentar até R$ 14 bilhões por ano em economia e geração de renda.
Diante desse cenário, atuar com resíduos sólidos não é apenas uma questão ambiental: é uma oportunidade concreta para empresas integrarem suas agendas ESG a práticas que beneficiam a sociedade e os territórios. Apoiar cooperativas, estruturar logística reversa, incentivar a compostagem e fortalecer iniciativas como o Programa Catar são formas reais de transformar promessas em impacto.
Por fim, é importante destacar que em breve o país contará com a Taxonomia Sustentável Brasileira, prevista para ser lançada em dezembro. Essa iniciativa vai normatizar critérios objetivos para classificar atividades sustentáveis, trazendo ainda mais clareza sobre o que realmente pode ser considerado impacto e o que é apenas discurso.
Acreditamos que inovação e impacto só fazem sentido quando saem do papel e se materializam em mudanças reais. Se a sua empresa precisa de ajuda nisso, estamos aqui para apoiar.


