quinta-feira, 04 junho, 2026
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China aprova primeiro chip cerebral para uso comercial do mundo; tecnologia atende pacientes com paralisia

Dispositivo já começou a ser usado em pacientes com paralisia e coloca o país na dianteira de um dos setores mais promissores da tecnologia médica

A China deu um passo inédito na corrida global por interfaces cérebro-computador (BCIs, na sigla em inglês). O país acaba de aprovar o primeiro chip cerebral invasivo do mundo autorizado para uso além de testes clínicos. O dispositivo, chamado NEO, poderá ser utilizado por pacientes com paralisia causada por lesões na medula espinhal.

O avanço foi revelado pelo MIT Technology Review e tem como um dos primeiros beneficiados Dong Hui, de 39 anos. Paralisado do pescoço para baixo após um acidente de carro, ele voltou a conseguir segurar uma caneta e escrever após 11 meses de reabilitação usando o implante. Segundo o relato, antes do procedimento ele conseguia mover levemente os braços, mas não os dedos.

Testes da Neuracle com chips cerebrais — Foto: Divulgação, Neuracle
Testes da Neuracle com chips cerebrais — Foto: Divulgação, Neuracle

Desenvolvido pela startup chinesa Neuracle Technology, em parceria com pesquisadores da Universidade de Tsinghua, o NEO tem tamanho semelhante ao de uma moeda. Diferentemente de soluções mais invasivas, como as que perfuram diretamente o córtex cerebral, os sensores do dispositivo são posicionados sobre a dura-máter, membrana protetora do cérebro, reduzindo riscos como hemorragia e degradação do sinal ao longo do tempo.

Na prática, o sistema capta sinais cerebrais e os traduz em comandos para uma luva robótica usada pelo paciente durante sessões diárias de treinamento. O objetivo é recuperar movimentos das mãos e ampliar a autonomia para atividades básicas do cotidiano, como vestir roupas ou se alimentar.

O marco também tem peso geopolítico. O NEO superou concorrentes internacionais, incluindo iniciativas como a da Neuralink, e se tornou o primeiro produto do tipo a obter aprovação comercial.

Especialistas ouvidos atribuem parte dessa velocidade ao forte apoio estatal chinês: o país colocou interfaces cérebro-computador entre os setores estratégicos do seu plano nacional de desenvolvimento tecnológico, ao lado de áreas como robótica humanoide e computação quântica.

Outro movimento simbólico veio dias depois da aprovação: a tecnologia começou a ser incorporada ao sistema de saúde chinês por meio da criação de um código próprio de cobertura médica, um passo importante para subsidiar parte do custo do tratamento no futuro.

Para pesquisadores, o momento representa um divisor de águas para o setor. Depois de décadas concentradas em pesquisa acadêmica, as interfaces cérebro-computador começam a entrar na era da manufatura e do uso clínico em escala.

Foto: Divulgação, Tsinghua University

Por: Rennan Julio

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