Acredita-se que o hidrogênio será um combustível essencial nos próximos anos, já que não produz CO2 quando utilizado como combustível ou em processos industriais
A ideia de que a inteligência artificial pode ajudar os humanos na busca pela imortalidade já é algo debatido pela comunidade científica. No entanto, enquanto os pesquisadores usam a IA para procurar por possíveis remédios e métodos capazes de frear o envelhecimento e combater doenças, algumas pessoas já têm utilizado chatbots para ‘conversar com os mortos’ – o que não deixa de ser uma espécie busca pela imortalidade.
Uma reportagem do The New York Times traz algumas histórias de norte-americanos que criaram avatares de seus entes queridos que já faleceram. A médica endocrinologista Stephenie Lucas Oney, de 75 anos, é uma delas. Ela criou um avatar do seu pai, William Lucas, que faleceu há um ano, por meio do HereAfter AI, app que usa IA para gerar respostas com base em horas de entrevistas realizadas com Lucas antes de sua morte.
Com isso, a filha consegue fazer perguntas ao avatar do pai, a IA gera a resposta com base nos dados coletados e entrega um áudio com a voz de Lucas respondendo à filha.
Segundo Stephenie, poder ouvir a voz de seu pai lhe traz conforto, mas o principal objetivo da experiência é que seus netos possam ‘conversar’ com o bisavô. “Quero que as crianças ouçam todas essas coisas na voz dele”.
Além do HereAfter AI, outro app utilizado para tais experiências é o StoryFile, que produz vídeos interativos nos quais os sujeitos parecem fazer contato visual, respirar e piscar enquanto respondem a perguntas. Ambos geram respostas a partir das perguntas feitas pelos usuários, geralmente coisas do tipo “Me conte como foi a sua infância” e “Qual foi o maior desafio que você enfrentou na vida?”.
O StoryFile oferece uma versão de “alta fidelidade” na qual o indivíduo é entrevistado pelo estúdio virtual, formando uma base de images, áudio e dados. O foi criado por Stephen Smith, que também foi o primeiro cliente do serviço – ele pediu que sua mãe, Marina Smith, experimentasse a ferramenta ates de falacer, em julho.
De acordo com o StoryFile, cerca de 5 mil pessoas já criaram perfis no aplicativo.
O que dizem os especialistas
Para Mark Sample, professor de estudos digitais no Davidson College que ministra um curso chamado Morte na Era Digital, o uso da IA para ‘conversar com os mortos’ só deve crescer. “Sempre que surge uma nova forma de tecnologia, há sempre o desejo de utilizá-la para contatar os mortos”, disse Sample ao NYT.
Em última análise, é uma questão de consentimento, afirma Alex Connock, pesquisador sênior da Saïd Business School da Universidade de Oxford e autor de “The Media Business and Artificial Intelligence”.
“Como todas as linhas éticas da IA, tudo se resumirá à permissão. Se você fez isso com conhecimento de causa e de boa vontade, acho que a maior parte das questões éticas podem ser navegadas com bastante facilidade.”
Para David Spiegel, presidente associado de psiquiatria e ciências comportamentais da Escola de Medicina de Stanford, programas como StoryFile e HereAfter AI podem ajudar as pessoas durante o luto da mesma forma que um álbum antigo de fotos.
“O crucial é manter uma perspectiva realista do que você está examinando – que não é que essa pessoa ainda esteja viva, se comunicando com você, mas que você está revisitando o que ela deixou”, finaliza.


