Os bilionários investiram na LifeMine Therapeutics, biofarmacêutica em estágio clínico que utiliza tecnologia de busca genômica digital em fungos para obter novas drogas
Depois de enfrentar forte crise em 2025, a LifeMine Therapeutics, empresa biofarmacêutica em estágio clínico que utiliza tecnologia de busca genômica digital em fungos para obter medicamentos, anunciou um financiamento de US$ 263 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhão).
A empresa concluiu uma rodada Série E de US$ 188 milhões (R$ 960 milhões), com excesso de subscrições, liderada pela Milky Way Investments e com a participação de novos investidores, incluindo Bezos Expeditions, de Jeff Bezos; Gates Frontier, de Bill Gates, e RA Capital Management, e uma rodada Série D de US$ 75 milhões (R$ 383 milhões), que teve a participação de investidores já existentes e da LoLa Capital Partners.
Os recursos serão usados para acelerar o desenvolvimento clínico de seu principal programa, o imunossupressor LIFE-001, e avançar o portfólio de novas terapias de transplante e imunologia.
Fundada em 2017, a LifeMine explora a biosfera fúngica para descobrir soluções de pequenas moléculas evoluídas na natureza para desafios terapêuticos antes considerados intratáveis. A biotecnologia construiu uma plataforma de descoberta de medicamentos, habilitada por genômica.
Essa plataforma é baseada em genes sequenciados de 100.000 cepas de fungos, organizada em grupos com base nas vias biossintéticas envolvidas. Em entrevista à Fierce Biotech, Gregory Verdine, cofundador, presidente e diretor executivo da empresa, informou que, no próximo mês, será iniciado o uso de agentes de IA para analisar os 1.200 potenciais alvos de medicamentos revelados por esse processo.
Segundo ele, há uma “abundância de possibilidades”, com oportunidades quase ilimitadas para parcerias e licenciamento.
Mas, por enquanto, o foco principal da companhia é no LIFE-001, um inibidor da ativação da calcineurina (CNai) que está sendo desenvolvido para a prevenção da rejeição de transplantes de órgãos. A LifeMine explica que ele é administrado como um injetável de longa duração e projetado para evitar os danos a órgãos dependentes de imunofilinas, comuns a todos os CNis tradicionais, como ciclosporina, voclosporina e tacrolimus.
A sua atuação se dá por meio da inibição direta da ativação da calcineurina, sem depender de proteínas imunofilinas intermediárias.
“Mais de 1,6 milhão de pessoas em todo o mundo vivem com um órgão transplantado, mas os médicos continuam a depender de inibidores de calcineurina que permaneceram praticamente inalterados por mais de três décadas, apesar de sua toxicidade bem conhecida”, apontou Verdine em comunicado.
Ele acrescentou que a nova abordagem “tem o potencial de redefinir o padrão de tratamento, oferecendo a eficácia comprovada da inibição da calcineurina na prevenção da rejeição de transplantes de órgãos, ao mesmo tempo que melhora drasticamente a segurança, a tolerabilidade e a conveniência da dosagem para os pacientes”.
No momento, o medicamento está em estudo de Fase 1, com dose única ascendente (SAD)/dose múltipla ascendente (MAD), envolvendo mais de 120 participantes adultos. O objetivo é avaliar segurança, tolerabilidade, exposição ao fármaco e eficácia da supressão de células T no sangue.
Em abril, a empresa anunciou que o primeiro participante havia recebido a primeira dose . À Fierce Biotech, Verdine informou que a LifeMine planeja iniciar um ensaio clínico de fase 1b com 12 pacientes submetidos a transplante de células das ilhotas pancreáticas e um estudo de fase 2 mais amplo com 150 pacientes submetidos a transplante renal. A divulgação dos resultados de ambos está prevista para 2027.
Por: Renata Turbiani


