Entre as cargas úteis enviadas à microgravidade estavam microrganismos responsáveis pelo crescimento de plantas. Missão ocorreu na terça-feira (15), na Paraíba
O sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R), uma espécie de laboratório espacial, foi testado em condições reais de voo e qualificado pela Força Aérea Brasileira (FAB). Os dados coletados na terça-feira (15) durante a Operação Potiguar Fase 2 serão utilizados na avaliação do sistema e no desenvolvimento de pesquisas em microgravidade. A atividade ocorreu no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim (PB).
Entre as cargas úteis, estavam quatro experimentos, resultados de parcerias entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) — autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) — e a iniciativa privada. As experimentações abrangeram pesquisas científicas e testes de tecnologia, como o estudo dos efeitos da microgravidade sobre microrganismos responsáveis pelo crescimento de plantas e o teste de um sistema de segurança para lançamentos.
Ainda foram enviadas tecnologias próprias do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), incluindo uma bateria de lítio de alta densidade energética e um transmissor que auxilia na localização da carga após o pouso.
O resgate da carga útil em mar aberto mobilizou o Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação — Esquadrão Falcão, sediado na Base Aérea de Natal, e o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, que fica em Campo Grande (MS).
Com a operação concluída, encerrou-se, na prática, o ciclo completo da missão: lançamento, voo suborbital, recuperação e qualificação em voo do sistema de recuperação da PSM-R.
O voo da plataforma, com o veículo de sondagem VS-30 V16, durou cerca de 12 minutos e 30 segundos e alcançou 92 km de altitude. Todos os procedimentos foram conduzidos sob rigorosos requisitos de segurança
Experimentos
Entre os experimentos apoiados pela AEB está a Análise dos Efeitos da Microgravidade sobre Microrganismos, Rede Space Farming Brasil. O experimento avaliou os efeitos da microgravidade sobre microrganismos durante o voo suborbital. A pesquisa também verificou os efeitos das vibrações sobre a viabilidade celular. Os organismos foram acondicionados em tubos de ensaio dentro de um módulo CubeSat 1U.
A rede reúne instituições como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Outro experimento é o CTM-Sec, da R-CRIO, que avaliou o impacto das condições extremas de um voo suborbital sobre a estabilidade do secretoma de células-tronco mesenquimais. O secretoma reúne proteínas bioativas, fatores de crescimento e vesículas extracelulares produzidos pelas células, com potencial terapêutico para regeneração de tecidos e imunomodulação.
A PSM-R também levou o MundoTec, plataforma de experimentos em microgravidade do Senai Cimatec em parceria com o canal Manual do Mundo. A iniciativa reúne três testes relacionados a variações de aceleração e oscilações, evidenciando a física e a matemática no contexto de viagens espaciais e aplicação de experimentos compactos em voos suborbitais educacionais.
O quarto experimento é o teste da Antenna for CubeSat Telemetry, da Tycho Space. A atividade avaliou o funcionamento de uma antena para CubeSats em condições reais de lançamento.
Foto: Força Aérea Brasileira
Por: Gov.br


