domingo, 09 agosto, 2026
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Bezos e Gates fazem aposta multimilionária em fungos como a próxima ‘fábrica de medicamentos’

Os bilionários investiram na LifeMine Therapeutics, biofarmacêutica em estágio clínico que utiliza tecnologia de busca genômica digital em fungos para obter novas drogas

Depois de enfrentar forte crise em 2025, a LifeMine Therapeutics, empresa biofarmacêutica em estágio clínico que utiliza tecnologia de busca genômica digital em fungos para obter medicamentos, anunciou um financiamento de US$ 263 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhão).

A empresa concluiu uma rodada Série E de US$ 188 milhões (R$ 960 milhões), com excesso de subscrições, liderada pela Milky Way Investments e com a participação de novos investidores, incluindo Bezos Expeditions, de Jeff Bezos; Gates Frontier, de Bill Gates, e RA Capital Management, e uma rodada Série D de US$ 75 milhões (R$ 383 milhões), que teve a participação de investidores já existentes e da LoLa Capital Partners.

Os recursos serão usados para acelerar o desenvolvimento clínico de seu principal programa, o imunossupressor LIFE-001, e avançar o portfólio de novas terapias de transplante e imunologia.

Fundada em 2017, a LifeMine explora a biosfera fúngica para descobrir soluções de pequenas moléculas evoluídas na natureza para desafios terapêuticos antes considerados intratáveis. A biotecnologia construiu uma plataforma de descoberta de medicamentos, habilitada por genômica.

Essa plataforma é baseada em genes sequenciados de 100.000 cepas de fungos, organizada em grupos com base nas vias biossintéticas envolvidas. Em entrevista à Fierce Biotech, Gregory Verdine, cofundador, presidente e diretor executivo da empresa, informou que, no próximo mês, será iniciado o uso de agentes de IA para analisar os 1.200 potenciais alvos de medicamentos revelados por esse processo.

Segundo ele, há uma “abundância de possibilidades”, com oportunidades quase ilimitadas para parcerias e licenciamento.

Mas, por enquanto, o foco principal da companhia é no LIFE-001, um inibidor da ativação da calcineurina (CNai) que está sendo desenvolvido para a prevenção da rejeição de transplantes de órgãos. A LifeMine explica que ele é administrado como um injetável de longa duração e projetado para evitar os danos a órgãos dependentes de imunofilinas, comuns a todos os CNis tradicionais, como ciclosporina, voclosporina e tacrolimus.

A sua atuação se dá por meio da inibição direta da ativação da calcineurina, sem depender de proteínas imunofilinas intermediárias.

“Mais de 1,6 milhão de pessoas em todo o mundo vivem com um órgão transplantado, mas os médicos continuam a depender de inibidores de calcineurina que permaneceram praticamente inalterados por mais de três décadas, apesar de sua toxicidade bem conhecida”, apontou Verdine em comunicado.

Ele acrescentou que a nova abordagem “tem o potencial de redefinir o padrão de tratamento, oferecendo a eficácia comprovada da inibição da calcineurina na prevenção da rejeição de transplantes de órgãos, ao mesmo tempo que melhora drasticamente a segurança, a tolerabilidade e a conveniência da dosagem para os pacientes”.

No momento, o medicamento está em estudo de Fase 1, com dose única ascendente (SAD)/dose múltipla ascendente (MAD), envolvendo mais de 120 participantes adultos. O objetivo é avaliar segurança, tolerabilidade, exposição ao fármaco e eficácia da supressão de células T no sangue.

Em abril, a empresa anunciou que o primeiro participante havia recebido a primeira dose . À Fierce Biotech, Verdine informou que a LifeMine planeja iniciar um ensaio clínico de fase 1b com 12 pacientes submetidos a transplante de células das ilhotas pancreáticas e um estudo de fase 2 mais amplo com 150 pacientes submetidos a transplante renal. A divulgação dos resultados de ambos está prevista para 2027.

Por: Renata Turbiani

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