terça-feira, 16 junho, 2026
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Cabo Verde, que arrancou empate histórico contra a Espanha na Copa, quer se tornar um hub global de tecnologia na África

País de pouco mais de 600 mil habitantes investe em infraestrutura digital, startups, inteligência artificial e atrai até o primeiro Web Summit africano

Enquanto surpreendia o mundo do futebol ao arrancar um empate histórico contra a Espanha em sua estreia na Copa do Mundo de 2026, Cabo Verde também tenta ganhar relevância em outra disputa global: a da economia digital. O pequeno arquipélago africano, formado por dez ilhas e com cerca de 600 mil habitantes, vem apostando em tecnologia, inovação e conectividade para se posicionar como uma ponte entre África, Europa e Américas.

A transformação digital foi colocada no centro da estratégia de desenvolvimento do governo. A meta oficial é digitalizar cerca de 60% dos serviços públicos até 2026 e ultrapassar 80% até 2030. O objetivo é reduzir burocracias, atrair empresas internacionais e criar um ambiente mais favorável para negócios digitais.

Um dos principais símbolos dessa aposta é o TechPark CV, complexo tecnológico apoiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento. O parque oferece infraestrutura para startups, programas de capacitação, espaços de inovação e iniciativas voltadas para empreendedores digitais.

Além dele, programas como Cabo Verde Digital e StartUp Jovem buscam estimular novos negócios de tecnologia e atrair investimentos internacionais.

TechPark CV, hub de tecnologia em Cabo Verde — Foto: Divulgação
TechPark CV, hub de tecnologia em Cabo Verde — Foto: Divulgação

Diferentemente de muitos países africanos, Cabo Verde aposta na localização geográfica como ativo estratégico. O arquipélago recebeu investimentos em cabos submarinos e infraestrutura de fibra óptica para se tornar uma espécie de entroncamento digital entre três continentes. A estratégia é aproveitar sua posição no Atlântico para servir como ponto de conexão de dados entre África, Europa e Américas.

Fintechs e remessas

Outra frente importante é o setor financeiro. Por causa da enorme diáspora cabo-verdiana espalhada pelo mundo, remessas internacionais representam uma parcela relevante da economia local. Isso abriu espaço para soluções digitais de pagamentos, transferências e inclusão financeira.

Além disso, em 2025 Cabo Verde e a Nigéria lançaram o chamado Digital Africa Corridor, iniciativa voltada para fortalecer inovação, inteligência artificial e formação de talentos digitais no continente.

Um dos programas prevê o treinamento de mais de 500 estudantes em programação e IA, além da capacitação de professores e desenvolvimento de projetos tecnológicos locais.

Reconhecimento global

E talvez o maior sinal de reconhecimento internacional tenha vindo em março deste ano, quando o Web Summit anunciou que sua primeira edição no continente africano será realizada em Cabo Verde. A decisão surpreendeu parte do mercado, que esperava cidades localizadas em países africanos maiores, como Nigéria, Quênia ou África do Sul.

Para o governo cabo-verdiano, a escolha funciona como uma chancela à estratégia de posicionar o país como porta de entrada para negócios de tecnologia na África. O evento se chamará Web Summit Spotlight e acontecerá em dezembro deste ano.

Foto: Wikimedia Commons

Por: Rennan Julio

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