Com tecnologias de ponta e conectividade extrema, as arenas modernas oferecem experiências únicas, de replays com gêmeos virtuais a estatísticas em tempo real
A Copa do Mundo 2026 foi anunciada pela Fifa como a mais tecnológica da história – não apenas pelo que vai acontecer nos jogos, mas pela experiência que os torcedores terão dentro dos estádios. Com sede em três países – Estados Unidos, México e Canadá –, a competição terá 104 partidas em 16 estádios, cinco deles cobertos por grandes domos.
Para o torneio, essas arenas esportivas receberam upgrades que combinam inteligência artificial, alta conectividade, segurança inteligente e experiências imersivas para os torcedores. Entre as casas mais modernas do torneio estão o SoFi Stadium, em Los Angeles; o Allegiant Stadium, em Las Vegas; e o Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.
SoFi Stadium, em Los Angeles
Inaugurado em 2020, o SoFi Stadium, casa compartilhada pelos Los Angeles Rams e pelos Chargers, é considerado o mais caro da história do esporte mundial. Em sua construção, foram gastos cerca de US$ 5,5 bilhões: grande parte desse valor foi usado para garantir a integridade da estrutura em uma área de alta atividade sísmica na Califórnia. O estádio foi instalado abaixo do nível do solo (o campo fica a quase 30 metros de profundidade) e é cercado por um enorme fosso sísmico. Se um terremoto acontecer, o terreno ao redor e a cobertura do estádio se moverão de forma independente, para absorver o impacto e impedir que a estrutura desabe.
A cobertura é feita de painéis de ETFE, um plástico translúcido high-tech, que protege o público da chuva e dos raios UV, mas permite a entrada de luz natural. O teto também permite a circulação do vento do oceano Pacífico, dispensando sistemas colossais de ar-condicionado. Para sustentar 70 mil torcedores conectados, o SoFi conta com mais de 2,5 mil pontos de acesso wi-fi 6 integrados sob as poltronas e nas estruturas, garantindo latência quase zero para aplicativos de realidade aumentada e compras dentro da arena. Milhares de sensores de IoT (internet das coisas) espalhados pelo complexo monitoram o fluxo de pessoas, o consumo de energia, o funcionamento das escadas rolantes e até os níveis de água nas descargas. Tudo para antever falhas antes que elas aconteçam.
Allegiant Stadium, em Las Vegas
Próximo dali, em Las Vegas, o Allegiant Stadium, inaugurado em 2020 e apelidado de “Estrela da Morte” por sua imponente fachada preta espelhada, consolidou-se como um dos maiores monumentos da engenharia esportiva mundial. O principal destaque tecnológico é sua gigantesca bandeja retrátil de 4,3 mil toneladas que, movida por motores elétricos sobre trilhos, transporta o campo de grama natural para o exterior da arena para receber luz solar, preservando o gramado para os jogos da NFL.
O estádio climatizado, assim como o SoFi, conta com teto translúcido de plástico ultrarresistente e portas automatizadas de 60 metros de largura que oferecem uma vista panorâmica para a famosa Las Vegas Strip. Na área interna, uma tocha de 28 metros com chamas simuladas por LED, a maior estrutura feita em 3D do mundo, confere uma certa magia ao estádio, que conta ainda com um sistema inteligente de resfriamento e conectividade wi-fi 6, eliminando a necessidade do uso de dinheiro físico.
Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta
Além do SoFi e do Allegiant, o Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, também foi feito para ser um ícone de inovação digital, com design futurista e recursos sustentáveis. Um traço que o difere de todos os demais é o teto em formato de catavento, inspirado no Panteão Romano. Composto por oito painéis triangulares translúcidos feitos de polímero leve (ETFE), os painéis se movem em trilhos paralelos, abrindo e fechando em um sistema semelhante ao de uma câmera fotográfica, para controlar a entrada de luz natural e regular a temperatura.
Abaixo da abertura do teto fica a Halo Board, uma tela de LED de 360 graus, com mais de 335 metros de comprimento e 18 metros de altura. Sua disposição permite que todos os assentos da arena consigam ter uma visão panorâmica desimpedida e imersiva dos replays dinâmicos e das estatísticas do jogo exibidas em tempo real. Na parte lateral do estádio há ainda uma imensa parede de vidro transparente com altura equivalente a 16 andares de um prédio, projetada para emoldurar o horizonte urbano e os prédios do centro de Atlanta.
Apoiada em uma robusta espinha dorsal de fibra óptica e wi-fi de alta densidade, a arena foi projetada para não ter filas. Além dos mais de 670 pontos de venda via cashless espalhados pelo espaço, o sistema automatizado de concessão de alimentos e bebidas usa inteligência de rede para otimizar o fluxo de torcedores nas arquibancadas. A inovação também se estende para a parte de sustentabilidade. A geração própria de energia é garantida por mais de 4 mil painéis solares, e o sistema de gestão de águas armazena mais de 7,5 milhões de litros de água da chuva para evitar enchentes nas comunidades vizinhas e reutilizá-la no resfriamento e irrigação do estádio.
Para além das conexões, as tecnologias usadas na preparação das arenas da Copa do Mundo abarcam tudo que há de mais moderno já criado para o entretenimento. Redes 5G privadas, alimentadas por centenas de antenas e amplificadores instalados nos estádios, vão permitir que milhares de pessoas transmitam vídeos, acessem estatísticas e usem serviços digitais simultaneamente: a ideia é transformar o celular em uma espécie de controle remoto. Por meio de aplicativos, o torcedor poderá acessar replays das jogadas mais controversas, mapas interativos do estádio, informações sobre ingressos e filas e até mesmo recursos de realidade aumentada. Tudo para não perder nada, dentro ou fora do campo.
*Esta matéria foi publicada originalmente na edição impresa de Época NEGÓCIOS de junho/julho
Por: Tatiana Vaz


