sexta-feira, 05 junho, 2026
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Lixo eletrônico vale ouro, e o mundo continua jogando fora

Relatório global revela que circularidade voltou a cair; no Brasil, operação de recuperação de lixo eletrônico mostra que o caminho inverso é possível.

O Dia Mundial da Reciclagem, celebrado no dia 17 de maio , trouxe uma notícia incômoda: o mundo ficou menos circular. Pelo segundo ano consecutivo, a taxa de aproveitamento de materiais na economia global recuou (de 7,2% para 6,9%), segundo o Circularity Gap Report 2026, produzido pela Circle Economy com apoio da Deloitte. Ou seja, de tudo que é extraído, processado e consumido no planeta, menos de 7% retorna ao ciclo produtivo. O restante, sejam materiais, energia ou valor, é descartado de forma definitiva, gerando perdas estimadas em mais de 25 trilhões de euros por ano.

No segmento de eletroeletrônicos, o problema é especialmente crítico. Smartphones, computadores e equipamentos industriais concentram metais raros e componentes de alto valor que, sem uma cadeia de reciclagem estruturada, saem de circulação, contaminando o solo e desperdiçando recursos que poderiam ser reinseridos na produção. É nesse cenário que a Circular Brain, que faz parte do ecossistema Circulare, atua. Desde 2021, já recuperou quase 20 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos, em uma operação presente em mais de 5.500 municípios do país.

Uma economia que extrai tudo e devolve quase nada

“O índice registrado pelo relatório representa mais do que uma queda estatística: é um sinal de que as iniciativas globais de reciclagem ainda não conseguem acompanhar o ritmo do consumo”, explica Marcus Oliveira, CEO e fundador da companhia. O documento estima que a economia linear, baseada no modelo extrair, produzir e descartar, desperdiça o equivalente a 1 a cada 3 euros gerados. Para o setor ambiental, o dado reforça a urgência de modelos que fechem o ciclo dos materiais antes que eles se tornem passivos. No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e o Acordo Setorial já estabelecem essa obrigação para fabricantes e importadores de eletrônicos, mas a conformidade ainda depende de cadeias logísticas que, na maior parte do território, não existiam até pouco tempo atrás.

“Tratamos o lixo eletrônico como se fosse um problema ambiental. Mas ele é também um desperdício econômico. Estamos descartando matérias-primas importantes que já foram extraídas, processadas e transportadas e que podem voltar ao sistema com um investimento menor do que essa perda estimada”, explica o especialista.

Para o CEO, um dos principais obstáculos à reciclagem em escala não é a falta de vontade, é a falta de infraestrutura. “Se o consumidor não tem onde descartar, o produto não entra no sistema. Por isso, a construção de uma rede nacional foi essencial para viabilizar ganho de escala”, explica. A Circular Brain criou o ecossistema Circulare, que conta hoje com mais de 17 mil pontos de entrega, coleta domiciliar gratuita para eletrodomésticos grandes e 65 recicladores homologados, em um modelo que rastreia cada etapa da cadeia (da coleta ao destino final) para garantir que o resíduo seja tratado de forma ambientalmente adequada e alinhada à regulamentação.

Ele aponta que a rastreabilidade, que é essencial para a economia circular e para a reciclagem garantindo o retorno dos materiais ao ciclo produtivo, é também o que permite dar um passo além da conformidade legal: “Isso é o que viabiliza transformar resíduo em ativo econômico. As empresas que fizerem parte de sistemas realmente eficientes vão depender menos de matéria-prima virgem, otimizando seus recursos”, completa.

Marcus Oliveira é CEO e fundador da Circular Brain.

Por: Marcus Oliveira, em Portal Sustentabilidade

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