Em Mato Grosso, acaba de nascer um projeto jornalístico que carrega no nome e na essência a força de um dos maiores símbolos da fauna sul-americana. A Rede Sucuri surgiu com a missão de dar visibilidade a iniciativas, pesquisas e histórias ligadas ao meio ambiente, ciência, bioeconomia e turismo. Mais que uma agência de conteúdo, ela se apresenta como uma startup de comunicação inovadora, que aposta na colaboração entre jornalistas, cientistas, ambientalistas e empreendedores para preservar a biodiversidade dos biomas brasileiros.
“Lançamos uma Rede cheia de esperança e entusiasmo, inspirada na sucuri, um animal que é símbolo de força, paciência e resistência”, resume a jornalista Safira Campos, cofundadora e responsável pelo projeto ao lado da economista Dandara Nascimento.
A iniciativa tem como território de origem Mato Grosso, estado que abriga três dos mais ricos biomas do planeta: Amazônia, Pantanal e Cerrado. A proposta, no entanto, vai além das fronteiras locais. A Rede Sucuri nasce de dentro para fora, parte da realidade regional para alcançar uma escala nacional e até global, sempre com olhar enraizado no território. O lançamento oficial ocorreu no dia 22 de setembro, já despertando interesse de pesquisadores, produtores e empreendedores.
Uma startup de jornalismo
No cenário da comunicação digital, a Rede Sucuri se define como startup. O termo não é usado apenas como rótulo moderno, mas para marcar a inovação que o projeto traz para o mercado de informação. Diferente dos portais tradicionais, a Sucuri aposta em coberturas aprofundadas e na experimentação de formatos.
“Nosso foco é a bioeconomia e a ciência. Queremos mostrar o que está sendo feito a partir de quem produz conhecimento e soluções”, explica Dandara. Essa perspectiva fez com que o projeto fosse selecionado pelo programa de aceleração Inova Pantanal, do Sebrae, onde a equipe encontra apoio para estruturar e escalar o negócio.
Outro diferencial está na licença Creative Commons (CC) adotada pelo portal, que permite a livre circulação dos conteúdos produzidos, desde que a autoria seja atribuída. O objetivo é ampliar o alcance das reportagens e contribuir para um debate público mais qualificado sobre temas urgentes.
O nascimento do negócio
A Rede Sucuri nasceu do encontro de duas trajetórias distintas, mas complementares.
Doutoranda em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp, Dandara Nascimento há anos se dedica a estudar os indicadores da produção científica brasileira. Em sua dissertação de mestrado, ela demonstrou como pesquisadores de diferentes regiões acabam voltados a problemas locais, diretamente ligados ao desenvolvimento de seus territórios.
“Essa paixão pela análise da ciência brasileira se encontrou com a minha realidade regional. Foi desse cruzamento que surgiu a ideia da Rede Sucuri”, conta.
Já Safira Campos, jornalista formada pela UFMT e atualmente doutoranda na ESPM, traz experiência em apuração, entrevistas e análise de dados. As duas fundadoras dividem tarefas que vão da reportagem ao design visual, apoiadas pontualmente por colaboradoras como a designer Cristina Pérola e a parceira comercial Renatha Pelissari.
A escolha do nome não foi aleatória. A sucuri, presente nos três biomas de Mato Grosso, representa a força e a conexão entre diferentes ambientes. Mais que isso, simboliza paciência e resiliência, valores fundamentais para quem começa uma startup do zero.
“Pensamos em criar uma rede de conexões que envolvesse cientistas, pesquisadores, pequenos produtores e empresários locais. Queremos mostrar como o conhecimento pode se conectar ao território. A sucuri traduz bem esse espírito”, afirma Dandara.

Os desafios de traduzir ciência
Um dos principais compromissos da Rede Sucuri é tornar o debate científico acessível sem perder a profundidade. Para Safira, esse é um dos maiores desafios do jornalismo ambiental.

“Existe o risco de simplificar demais e desfigurar a pesquisa, ou então de usar termos técnicos incompreensíveis para o público. O nosso papel é equilibrar essas duas responsabilidades: sermos fiéis ao que o cientista disse e, ao mesmo tempo, claros para o leitor”, explica.
Esse esforço é ainda mais importante diante do negacionismo científico, que ganhou força nos últimos anos. Ao traduzir dados complexos em histórias compreensíveis, a Rede busca combater a desinformação e aproximar a sociedade da produção científica local.
Desde o lançamento, o portal publica reportagens densas, com múltiplas fontes, documentos e análises. A primeira leva de matérias incluiu, por exemplo, o uso de câmeras e drones no Pantanal para monitoramento ambiental. Além do texto, a equipe produziu mapas e infográficos para situar o leitor.
Nas redes sociais, o formato se adapta: conteúdos mais curtos, interativos e visuais, sempre com o objetivo de atrair públicos diversos, inclusive os mais jovens.
“Queremos que as pessoas se vejam nas nossas histórias. Que o pequeno produtor, o pesquisador, o estudante e o empreendedor sustentável percebam que estão conectados nessa rede”, resume Safira.
Público e repercussão
A resposta inicial tem sido positiva. Em eventos como os realizados pelo Sebrae, o projeto despertou interesse de produtores, startups e cidadãos comuns. Muitos procuraram a equipe para sugerir pautas ou compartilhar experiências.
Um exemplo foi a repercussão da matéria sobre a empresa Origem Compostagem, de Yasmin Fonseca, que atua na reciclagem de resíduos orgânicos em Cuiabá. Em pouco mais de quatro anos, a iniciativa já evitou que 400 toneladas de lixo orgânico fossem parar no aterro da capital. Após a reportagem, Yasmin relatou aumento na visibilidade do seu trabalho.
Para Safira e Dandara, histórias como essa comprovam o poder do jornalismo de solução: mostrar iniciativas locais que, mesmo pequenas, têm potencial de transformação.
Sustentabilidade e independência
Assim como todo negócio, a Rede Sucuri busca sustentabilidade financeira. Parcerias estão em negociação, mas a equipe reforça que a independência editorial é inegociável.
“Nossos pilares são claros, e nossos parceiros precisam respeitá-los. Se em algum momento houver restrição para abordar temas importantes, a parceria deixa de fazer sentido”, enfatiza Safira.
Um convite à colaboração
A Rede Sucuri se define como um espaço aberto. O convite é para que leitores, pesquisadores, empreendedores e cidadãos façam parte dessa construção coletiva. O site e o perfil no Instagram (@redesucuri) recebem sugestões de pautas e histórias.
“Queremos construir essa teia com muitas conexões e desdobramentos. Nosso jornalismo nasce em Mato Grosso, mas é para o mundo”, conclui Dandara.
Por reconhecer a importância dessa iniciativa, aqui, no 360 News também será possível acompanhar as atualizações da Rede Sucuri, reforçando nosso compromisso de valorizar iniciativas que fazem diferença no ecossistema da informação.
- Site: redesucuri.com
- Instagram: @redesucuri
- E-mail: redesucuri@gmail.com
- Telefone: (65) 99925-6924


