quinta-feira, 23 abril, 2026
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Rede Sucuri: jornalismo de dentro para fora, conectando ciência, meio ambiente e sociedade

Em Mato Grosso, acaba de nascer um projeto jornalístico que carrega no nome e na essência a força de um dos maiores símbolos da fauna sul-americana. A Rede Sucuri surgiu com a missão de dar visibilidade a iniciativas, pesquisas e histórias ligadas ao meio ambiente, ciência, bioeconomia e turismo. Mais que uma agência de conteúdo, ela se apresenta como uma startup de comunicação inovadora, que aposta na colaboração entre jornalistas, cientistas, ambientalistas e empreendedores para preservar a biodiversidade dos biomas brasileiros.

“Lançamos uma Rede cheia de esperança e entusiasmo, inspirada na sucuri, um animal que é símbolo de força, paciência e resistência”, resume a jornalista Safira Campos, cofundadora e responsável pelo projeto ao lado da economista Dandara Nascimento.

A iniciativa tem como território de origem Mato Grosso, estado que abriga três dos mais ricos biomas do planeta: Amazônia, Pantanal e Cerrado. A proposta, no entanto, vai além das fronteiras locais. A Rede Sucuri nasce de dentro para fora, parte da realidade regional para alcançar uma escala nacional e até global, sempre com olhar enraizado no território. O lançamento oficial ocorreu no dia 22 de setembro, já despertando interesse de pesquisadores, produtores e empreendedores.

Uma startup de jornalismo

No cenário da comunicação digital, a Rede Sucuri se define como startup. O termo não é usado apenas como rótulo moderno, mas para marcar a inovação que o projeto traz para o mercado de informação. Diferente dos portais tradicionais, a Sucuri aposta em coberturas aprofundadas e na experimentação de formatos.

“Nosso foco é a bioeconomia e a ciência. Queremos mostrar o que está sendo feito a partir de quem produz conhecimento e soluções”, explica Dandara. Essa perspectiva fez com que o projeto fosse selecionado pelo programa de aceleração Inova Pantanal, do Sebrae, onde a equipe encontra apoio para estruturar e escalar o negócio.

Outro diferencial está na licença Creative Commons (CC) adotada pelo portal, que permite a livre circulação dos conteúdos produzidos, desde que a autoria seja atribuída. O objetivo é ampliar o alcance das reportagens e contribuir para um debate público mais qualificado sobre temas urgentes.

O nascimento do negócio

A Rede Sucuri nasceu do encontro de duas trajetórias distintas, mas complementares.
Doutoranda em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp, Dandara Nascimento há anos se dedica a estudar os indicadores da produção científica brasileira. Em sua dissertação de mestrado, ela demonstrou como pesquisadores de diferentes regiões acabam voltados a problemas locais, diretamente ligados ao desenvolvimento de seus territórios.

“Essa paixão pela análise da ciência brasileira se encontrou com a minha realidade regional. Foi desse cruzamento que surgiu a ideia da Rede Sucuri”, conta.

Já Safira Campos, jornalista formada pela UFMT e atualmente doutoranda na ESPM, traz experiência em apuração, entrevistas e análise de dados. As duas fundadoras dividem tarefas que vão da reportagem ao design visual, apoiadas pontualmente por colaboradoras como a designer Cristina Pérola e a parceira comercial Renatha Pelissari.

A escolha do nome não foi aleatória. A sucuri, presente nos três biomas de Mato Grosso, representa a força e a conexão entre diferentes ambientes. Mais que isso, simboliza paciência e resiliência, valores fundamentais para quem começa uma startup do zero.

“Pensamos em criar uma rede de conexões que envolvesse cientistas, pesquisadores, pequenos produtores e empresários locais. Queremos mostrar como o conhecimento pode se conectar ao território. A sucuri traduz bem esse espírito”, afirma Dandara.

Os desafios de traduzir ciência

Um dos principais compromissos da Rede Sucuri é tornar o debate científico acessível sem perder a profundidade. Para Safira, esse é um dos maiores desafios do jornalismo ambiental.

“Existe o risco de simplificar demais e desfigurar a pesquisa, ou então de usar termos técnicos incompreensíveis para o público. O nosso papel é equilibrar essas duas responsabilidades: sermos fiéis ao que o cientista disse e, ao mesmo tempo, claros para o leitor”, explica.

Esse esforço é ainda mais importante diante do negacionismo científico, que ganhou força nos últimos anos. Ao traduzir dados complexos em histórias compreensíveis, a Rede busca combater a desinformação e aproximar a sociedade da produção científica local.

Desde o lançamento, o portal publica reportagens densas, com múltiplas fontes, documentos e análises. A primeira leva de matérias incluiu, por exemplo, o uso de câmeras e drones no Pantanal para monitoramento ambiental. Além do texto, a equipe produziu mapas e infográficos para situar o leitor.

Nas redes sociais, o formato se adapta: conteúdos mais curtos, interativos e visuais, sempre com o objetivo de atrair públicos diversos, inclusive os mais jovens.

“Queremos que as pessoas se vejam nas nossas histórias. Que o pequeno produtor, o pesquisador, o estudante e o empreendedor sustentável percebam que estão conectados nessa rede”, resume Safira.

Público e repercussão

A resposta inicial tem sido positiva. Em eventos como os realizados pelo Sebrae, o projeto despertou interesse de produtores, startups e cidadãos comuns. Muitos procuraram a equipe para sugerir pautas ou compartilhar experiências.

Um exemplo foi a repercussão da matéria sobre a empresa Origem Compostagem, de Yasmin Fonseca, que atua na reciclagem de resíduos orgânicos em Cuiabá. Em pouco mais de quatro anos, a iniciativa já evitou que 400 toneladas de lixo orgânico fossem parar no aterro da capital. Após a reportagem, Yasmin relatou aumento na visibilidade do seu trabalho.

Para Safira e Dandara, histórias como essa comprovam o poder do jornalismo de solução: mostrar iniciativas locais que, mesmo pequenas, têm potencial de transformação.

Sustentabilidade e independência

Assim como todo negócio, a Rede Sucuri busca sustentabilidade financeira. Parcerias estão em negociação, mas a equipe reforça que a independência editorial é inegociável.

“Nossos pilares são claros, e nossos parceiros precisam respeitá-los. Se em algum momento houver restrição para abordar temas importantes, a parceria deixa de fazer sentido”, enfatiza Safira.

Um convite à colaboração

A Rede Sucuri se define como um espaço aberto. O convite é para que leitores, pesquisadores, empreendedores e cidadãos façam parte dessa construção coletiva. O site e o perfil no Instagram (@redesucuri) recebem sugestões de pautas e histórias.

“Queremos construir essa teia com muitas conexões e desdobramentos. Nosso jornalismo nasce em Mato Grosso, mas é para o mundo”, conclui Dandara.

Por reconhecer a importância dessa iniciativa, aqui, no 360 News também será possível acompanhar as atualizações da Rede Sucuri, reforçando nosso compromisso de valorizar iniciativas que fazem diferença no ecossistema da informação.

Milena Vilar
Milena Vilarhttp://www.360news.com.br
Milena Vilar é jornalista especializada em inovação e atua como coordenadora de operações no 360 News. Além disso, também atua como assessora de imprensa e se arrisca como palestrante, sempre com entusiasmo por tudo o que promove mudanças e novas ideias. No 360 News, Milena assina escreve sobre inovação, cidades inteligentes, cultura, sociedade e protagonismo feminino, ajudando a conectar pessoas, projetos e visões que impactam positivamente o futuro.
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