quinta-feira, 23 abril, 2026
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Por que precisamos dormir? Resposta pode estar nas mitocôndrias

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford, publicado na Nature, tenta descobrir o motivo de precisarmos dormir

O sono é algo fundamental para a manutenção da vida – todos sabemos que além de um descanso para a mente, o sono é a manutenção essencial para o fornecimento de energia do corpo. Mas por que os seres vivos precisam dormir?

É o que um novo estudo da Universidade de Oxford, publicado na Nature, tenta descobrir. De acordo com o artigo, a pressão para dormir surge do acúmulo de estresse elétrico nos minúsculos geradores de energia dentro das células cerebrais.

A descoberta oferece uma explicação física para o impulso biológico de dormir e pode reformular a maneira como os cientistas pensam sobre o sono, o envelhecimento e as doenças neurológicas.

A pesquisa foi liderada pelo professor Gero Miesenböck, do Departamento de Fisiologia, Anatomia e Genética (DPAG) , e por Raffaele Sarnataro, do Centro de Circuitos Neurais e Comportamento de Oxford.

A equipe descobriu que o sono é desencadeado pela resposta do cérebro a uma forma sutil de desequilíbrio energético. A chave está nas mitocôndrias – estruturas microscópicas dentro das células que usam oxigênio para converter alimentos em energia.

Quando as mitocôndrias de certas células cerebrais reguladoras do sono (estudadas em moscas-das-frutas) ficam sobrecarregadas, elas começam a liberar elétrons. Assim, produzindo subprodutos potencialmente prejudiciais conhecidos como espécies reativas de oxigênio.

Esse vazamento parece atuar como um sinal de alerta que leva o cérebro a dormir, restaurando o equilíbrio antes que os danos se espalhem mais amplamente. “Você não quer que suas mitocôndrias percam muitos elétrons”, disse Sarnataro em um comunicado. “Quando isso acontece, elas geram moléculas reativas que danificam as células”, disse.

Os “disjuntores” do corpo humano

Neurônios especializados agem como disjuntores, medem esse vazamento de elétrons mitocondriais e desencadeiam o sono quando um limite é ultrapassado, descobriram os pesquisadores.

Ao manipular o processamento de energia nessas células (aumentando ou diminuindo o fluxo de elétrons) das moscas-das-frutas os cientistas conseguiram controlar diretamente o tempo de sono dos insetos.

Até mesmo a substituição de elétrons por energia da luz (usando proteínas emprestadas de microrganismos) teve o mesmo efeito: mais energia, mais vazamento, mais sono.

De acordo com os cientistas, as descobertas ajudam a explicar as conhecidas ligações entre metabolismo, sono e expectativa de vida. Assim, animais menores, que consomem mais oxigênio por grama de peso corporal, tendem a dormir mais e viver menos.

Humanos com doenças mitocondriais frequentemente experimentam fadiga debilitante mesmo sem esforço, e agora os cientistas podem explicar esse sintoma pelo mesmo mecanismo.

Por Gabriel Andrade

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