quinta-feira, 23 abril, 2026
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Volta às aulas: como está a retomada presencial nos estados brasileiros

As escolas brasileiras ficaram fechadas desde o início da pandemia da Covid-19 até o último trimestre de 2020, e a educação remota permaneceu por meses como a única modalidade de ensino a que se tinha acesso. Apesar de ser uma saída emergencial, o modelo acabou se prolongando excessivamente, o que deixou o Brasil entre os países que mais demoraram para retomar as atividades presenciais. Atualmente, 26 das 27 unidades da federação já liberaram a volta às aulas em modelo híbrido nas escolas privadas. Nas escolas públicas, entretanto, a maioria dos estados ainda não autorizou a retomada presencial.

Parte das escolas particulares começaram a retomar as atividades presenciais ainda em 2020, assim como a rede pública de alguns de estados e municípios. A expectativa era iniciar 2021 com uma parcela significativa dos cerca de 50 milhões de estudantes brasileiros matriculados no ensino infantil, fundamental e médio no sistema híbrido – modalidade que alterna o ensino remoto e o presencial, geralmente por meio de rodízio entre os alunos.

Mas, por causa das novas contaminações da Covid-19 a partir da variante de Manaus, no primeiro trimestre deste ano as redes públicas e particulares que já haviam reaberto suas escolas foram obrigadas a fechar novamente, e aquelas que estavam prestes a retomar as atividades adiaram os planos.

Um novo movimento de reabertura teve início em abril, porém ganhou mais força a partir de maio. Atualmente, 25 dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal liberaram a volta às aulas em escolas particulares – a única exceção é o Amapá.

Já na rede pública, nove das 27 unidades federativas já retomaram as atividades no modelo híbrido com parte dos alunos. Em todas, as famílias puderam optar por enviar os filhos às escolas ou mantê-los no ensino remoto. Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Sergipe e Piauí, que ainda não retomaram, já determinaram a reabertura das escolas da rede pública a partir de agosto – movimento que deve ser seguido pela maioria dos estados que ainda não decidiram sobre a retomada.

“Os alunos de escolas particulares já estão tendo aulas, apesar de haver exceções de acordo com as diretrizes dos municípios. Agora, na rede pública, que concentra 80% dos nossos alunos, lamentavelmente ainda não conseguimos evoluir tanto”, explica Carolina Campos, especialista em educação e fundadora da ONG Vozes da Educação. “Mas o que posso dizer é que existe um esforço real das secretarias de educação dos estados para a volta às aulas”, destaca.

Baixas contaminações no ambiente escolar na volta às aulas

De acordo com Carolina, entraves como a resistência de sindicatos de educadores e a própria insegurança dos gestores têm sido atenuados com as baixas contaminações no ambiente escolar nos colégios particulares e nas redes públicas que já reabriram. Ela explica que o posicionamento de estados como São Paulo e Rio de Janeiro – que conseguiram sustentar a decisão da reabertura mesmo com fortes críticas dos sindicatos – permitiu que outras redes vissem a experiência de retomada como positiva e fez com que mais estados e municípios flexibilizassem o retorno presencial.

“Foi a mesma coisa que a França fez: sofreu muito com os sindicatos, sustentou a decisão e, conforme o tempo foi passando, as coisas foram melhorando. Cada estado tem um motivo pelo qual voltou, e sentimos que há uma onda de retomada levando outros a reabrirem ou a estipularem datas para a reabertura”, observa a especialista em educação.

Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que o movimento de volta às aulas presenciais nas redes públicas tem se tornado realidade sobretudo nas regiões Sudeste e Sul, mas ela alerta para impasses que podem inviabilizar por ainda mais tempo a retomada em alguns municípios.

Segundo ela, quase um ano e meio após o início da pandemia ainda há municípios que não deram uma resposta adequada para mitigar os prejuízos educacionais decorrentes do fechamento das escolas. “São municípios que planejam voltar apenas no segundo semestre e ainda nem planejaram uma data. Isso é bastante preocupante”, destaca.

Com a troca de gestão nas administrações municipais, prefeitos que não viam grandes chances de reeleição, de acordo com Claudia, não se empenharam para fazer as obras necessárias para adequar as escolas aos protocolos de segurança, o que gerou impasses para os eleitos (mandatos de 2021 a 2024). Os investimentos seriam para viabilizar os protocolos sanitários e pedagógicos, ampliar a ventilação dos ambientes fechados e incluir lavatórios.

fonte: Gazeta do Povo 

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