sexta-feira, 16 outubro, 2026
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Só 5% dos líderes de tecnologia conseguem explicar decisões de IA com total confiança, diz estudo

Pesquisa da FICO com mais de mil executivos mostra que, apesar dos investimentos na tecnologia, empresas ainda enfrentam dificuldades para garantir transparência e ampliar o uso de sistemas autônomos

As empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas seus próprios executivos ainda têm dificuldades para explicar como a tecnologia chega a determinadas conclusões. Segundo um levantamento da FICO, empresa especializada em análise de dados e tecnologia de decisões, apenas 5,2% dos líderes entrevistados afirmam ter muita confiança em sua capacidade de explicar decisões tomadas por IA a clientes e reguladores.

O dado faz parte da quinta edição do relatório State of Responsible AI, realizado em parceria com a Corinium Global Intelligence, que ouviu 1.004 executivos das áreas de tecnologia, dados e risco. Outros 37,3% dos participantes se declararam neutros ou sem confiança para justificar as decisões da tecnologia.

“A maioria das organizações consegue dizer onde e o que a IA decidiu. Muito poucas conseguem explicar o porquê”, disse em nota Scott Zoldi, diretor de análise de dados da FICO. Segundo ele, a dificuldade evidencia a necessidade de padrões mais claros de desenvolvimento, auditoria e gestão dos modelos.

A falta de confiança ajuda a entender por que a inteligência artificial ainda participa de uma parcela relativamente pequena das decisões empresariais. De acordo com a pesquisa, 71,5% das decisões que afetam clientes continuam sendo tomadas sem IA, com predomínio do julgamento humano, de sistemas baseados em regras e de ferramentas tradicionais de análise de dados.

Isso ocorre mesmo com resultados financeiros considerados positivos. Entre os entrevistados, 85,1% afirmam que a IA já atendeu ou superou suas expectativas de retorno sobre o investimento.

Os agentes de IA também enfrentam dificuldades para sair dos testes. Apenas 2,4% dos participantes relatam uma implementação ampla de sistemas agênticos em aplicações voltadas aos clientes, enquanto 71,5% ainda estão em fases exploratórias ou projetos-piloto. As preocupações com segurança (40,1%) e os problemas de integração e qualidade dos dados (38,3%) aparecem como os principais obstáculos.

Para os próximos cinco anos, a maior preocupação dos executivos é a capacidade dos profissionais de acompanhar a evolução tecnológica, citada por 63,2% dos entrevistados. Curiosamente, apenas 10,4% apontam a perda de controle sobre sistemas de IA como um dos principais riscos.

Por: Rennan Julio

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