Estudo da Anthropic mostra que o custo ainda é a principal barreira à substituição de trabalhadores e estima que, no ritmo atual de queda de preços, levaria cerca de 40 anos para robôs se tornarem competitivos em 10% das tarefas
Robôs já têm capacidade técnica para executar 74% das tarefas físicas realizadas no mercado de trabalho dos Estados Unidos, mas isso não significa que estejam prontos para substituir trabalhadores. O principal obstáculo ainda é o custo: hoje, máquinas são competitivas financeiramente para apenas 0,3% das tarefas do mercado de trabalho.
A conclusão é de um estudo publicado pela Anthropic nesta semana, que analisou quais tarefas realizadas no trabalho poderiam ser executadas por robôs e em que condições. “É difícil prever o ritmo dos avanços dos robôs, mas acreditamos que mapear suas capacidades atuais pode ajudar a entender o que vem pela frente”, dizem os pesquisadores.
Eles afirmam que desenvolveram uma medida de exposição dos empregos aos robôs, usando o Claude para avaliar quão bem os robôs disponíveis hoje conseguem executar tarefas profissionais. “Um emprego é considerado mais exposto quando os robôs conseguem realizar uma parcela maior de suas tarefas e em ambientes menos controlados. Um robô é considerado competitivo em custo quando consegue executar a mesma tarefa por menos dinheiro do que um trabalhador humano.”
Robôs, que os pesquisadores definem como máquinas físicas autônomas capazes de perceber e agir, podem executar três quartos das tarefas físicas nos EUA, representando 34% da jornada de trabalho, mas principalmente em ambientes limitados. Já no caso das tarefas em que os robôs são competitivos em custo, a parcela é bem menor: se a queda nos preços das máquinas seguir as tendências observadas no passado, a Anthropic estima que seriam necessários 40 anos para que essa participação chegasse a 10%.
Depois do custo, a principal barreira é a capacidade das próprias máquinas, como a destreza necessária para desembaraçar fios. Preferências humanas e regulamentações também limitam a adoção de robôs em uma parcela significativa das tarefas.
Quando a análise inclui também os modelos de linguagem, os chamados LLMs, cerca de 80% das tarefas, considerando o tempo de trabalho, ficam expostas a algum dos dois tipos de tecnologia. Robôs e LLMs, porém, ocupam espaços diferentes.
As máquinas físicas conseguem realizar tarefas que os modelos de linguagem não conseguem, enquanto a parte do trabalho que permanece fora do alcance dos dois tipos de tecnologia é, em grande medida, formada por atividades que exigem interação com outras pessoas ou habilidades físicas que os robôs atuais ainda não dominam.
O ambiente faz diferença
A capacidade dos robôs varia bastante de acordo com o local onde eles precisam trabalhar. Do total de tarefas analisadas, 23% só podem ser feitas por robôs em ambientes especialmente construídos para máquinas, como determinadas linhas de produção. Outros 10% dependem de ambientes humanos mais estruturados, e apenas 1% pode ser executado em locais não estruturados e imprevisíveis.
A Anthropic também estima que limitações das próprias máquinas — especialmente em tarefas que exigem manipulação e destreza — impedem a adoção de robôs em cerca de 70% das atividades físicas analisadas.
Quem está mais exposto
Segundo a pesquisa, os empregos têm maior probabilidade de serem impactados quando os robôs já são capazes de realizar o trabalho hoje. Além disso, trabalhadores expostos a robôs tendem a ser homens, menos escolarizados e ter salários mais baixos.
“Um teste retrospectivo de 50 anos valida essa abordagem: de 1977 até hoje, os empregos que estavam mais expostos aos robôs existentes sofreram quedas salariais e de emprego nas décadas posteriores. Se o passado serve de guia, os motoristas de táxi e os embaladores de armazém verão mudanças antes dos enfermeiros e mecânicos”.
O levantamento aponta que motoristas e trabalhadores de armazéns estão entre os mais expostos aos robôs disponíveis atualmente. Já profissionais de enfermagem e de reparos em geral estão entre os menos expostos, porque os robôs atuais conseguem realizar pouco de suas tarefas, mesmo em ambientes altamente controlados.
Ao mesmo tempo, a exposição dos empregos aos robôs aumentou: a cada ano, eles se tornam capazes de realizar cerca de 2% do trabalho físico que antes não conseguiam fazer.
Foto: Divulgação / UBTech Robotics
Por: Thâmara Kaoru


