Pedidos de benefício a alguns servidores da Saúde tinham a palavra ‘canhão’ anotada à mão para sinalizar indicação política em Cuiabá.
Um relatório produzido pelo Ministério Público Estadual (MPE) e apresentado à Justiça para adiar o julgamento do prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) no envolvimento de esquema de fraude na Saúde mostra documentos impressos com anotações escritas à mão com pedidos de aumento do ‘Prêmio Saúde’ para determinados servidores.
Os documentos que pediam prioridade para alguns funcionários tinham escrito a palavra ‘canhão’, que, segundo o MPE, referiam-se a contratados como ‘canhão político’.
Também foram citados outros documentos, como comprovação de servidores com duplo vínculo e recebendo por dois cargos, supostamente de forma irregular.
O relatório foi apresentado à Justiça para pedir o adiamento do julgamento de Emanuel, que aconteceria nesta quinta-feira (18). Os documentos foram apreendidos no cumprimento dos mandados de busca e apreensão nos gabinetes da prefeitura no último mês, quando Pinheiro foi afastado da função.
Um dos documentos mostra informações manuscritas em caneta de cor azul na parte superior com a palavra ‘canhão’, o que pode indicar que a motivação da contratação seja por apoio político, não sendo identificada a autoria da assinatura.
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Na parte inferior o texto, tem-se a anotação manuscrita: “Henrique/ Ozenira verificar se consegue melhorar esse prêmio, mais o nome e CPF de um servidor.” (Veja acima)
Em consulta ao Portal Transparência da Prefeitura de Cuiabá, consta que o servidor, contratado temporariamente para o cargo de Agente de Saúde na Secretaria Municipal de Saúde recebe o valor de R$ 664 sem desconto em julho, no mês de agosto recebe duas parcelas sem desconto, nos valores de R$ 664 e R$ 750. Em setembro aparece apenas um valor de R$ 664 e no mês de outubro de 2021, somente um valor de R$ 513,28 com desconto, sendo líquido em R$ 467,09.
Servidores com duplo vínculo
Além desses documentos, foi apresentada uma folha com informações impressas que seriam de servidores que teriam duplo vínculo na Prefeitura de Cuiabá.(Veja abaixo)
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Na tabela, mostra servidores com dois cargos diferentes e cargas horárias que deveriam se chocar.
Segundo o MPE, ao detalhar as contratações, o Portal Transparência da Prefeitura de Cuiabá não disponibiliza carga horária cumprida, o que dificulta na fiscalização de eventuais irregularidades
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Em continuidade, expõe que teria vários nomes de sugestão e poderia fazer uma lista, e, ao final, relata que ‘Tânia’ dissera que ‘Dona Márcia’ teria dito ‘eu não estou fazendo o que ela quer??’ (veja acima)
Segundo o MPE, o documento acima com o manuscrito ‘Dona Marcia’ pode se referir à Márcia Pinheiro, ora investigada, e que, possivelmente, teria atuação direta frente a emanação de ordens à servidores ligados ao investigado Antônio Monreal Neto.
Julgamento adiado
A Justiça de Mato Grosso adiou o julgamento do retorno do prefeito afastado de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), ao cargo, após novas provas colhidas e apresentadas na denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra Pinheiro e da mulher dele, Márcia Pinheiro, além dos outros envolvidos.
Segundo a decisão, os documentos subsidiam a denúncia das irregularidades na gestão.
Emanuel Pinheiro foi afastado da função no dia 19 de outubro por ordem da Justiça. A determinação se deve à investigação de suposta organização criminosa voltada para contratações irregulares de servidores temporários na Secretaria Municipal de Saúde.


