Em sua autobiografia “A Different Kind of Power”, lançado neste mês, ela traz um vislumbre das convicções pessoais e do estilo de liderança que moldaram sua carreira política
Em 2017, Jacinda Ardern se tornou primeira-ministra da Nova Zelândia aos 37 anos. Durante o período em que esteve liderando seu país precisou lidar desde um ataque terrorista a mesquitas que deixou 51 mortos até uma pandemia.
Agora, em sua autobiografia “A Different Kind of Power” (Um Tipo Diferente de Poder), lançado neste mês, ela traz um vislumbre das convicções pessoais e do estilo de liderança que moldaram sua carreira política, segundo o Business Insider.
Ardern escreve com franqueza sobre como liderar com empatia, manter-se fiel aos seus valores e deixar que o propósito pese mais do que o medo.
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Confira 10 lições de liderança extraídas de seu livro, compilados pelo BI:
1) Diga “sim” antes de estar pronto
Em seu livro, Ardern conta que nunca teve como objetivo se candidatar a um cargo público. Ela amava política, mas via isso como uma vocação para outras pessoas, aquelas mais assertivas, mais confiantes e mais seguras.
Ela hesitou quando membros do Partido Trabalhista a incentivaram a entrar na lista do partido antes das eleições de 2008, já que para ela, tornar-se deputada na Nova Zelândia parecia distante e improvável.
Mas algo mudou: “Você já disse não tantas vezes. Mas desta vez, talvez, você apenas diga sim.”
2) Deixe o propósito ser maior que o medo
Enquanto era voluntária do Partido Trabalhista e trabalhava como pesquisadora para a ex-primeira-ministra Helen Clark em 2001, a ideia de se tornar parlamentar passou brevemente por sua cabeça. Mas ela duvidava que a política pudesse ser um emprego real para alguém como ela.
“O que seria? Não apenas ajudar as pessoas uma a uma — sendo uma boa cidadã e voluntária, como vi minha mãe fazer a vida toda — mas também ter um voto e uma voz no lugar que define e muda as regras. ‘Como seria, eu me perguntava, ser uma deputada?'”
3) Liderança é serviço, não status
Para Ardern, a política nunca era prestígio. Seu trabalho de campanha desde o início ensinou que mudança política não é aparência, é impacto.
“Uma eleição não era apenas algo que se batalhava na televisão. Não era sobre ligações telefônicas ou planilhas de Excel. Era sobre coisas reais que aconteciam com pessoas reais.”
4) Empatia não é fraqueza, é poder
Zombada e ridicularizada no Parlamento quando era jovem, Ardern se perguntava se era “sensível demais para a política.”
Um veterano do partido a aconselhou a não mudar. “Me prometa que você não vai tentar endurecer, Jacinda. Você sente as coisas porque tem empatia e porque se importa. O momento em que mudar isso será o momento em que deixará de ser boa no seu trabalho.”
5) Características que parecem te desqualificam podem ser as que te tornam grande líder
Ardern frequentemente sentia que não se encaixava no molde tradicional de um político, por ser ansiosa, empática e cheia de dúvidas. Mas, com o tempo, aprendeu a ver essas características como fortalezas, não fraquezas.
“Se você tem síndrome do impostor ou questiona a si mesma, canalize isso. Isso vai te ajudar. Você vai ler mais, buscar conselhos e se colocar com humildade nas situações que exigem isso. Se você é ansiosa e pensa demais em tudo, se consegue imaginar sempre o pior cenário, canalize isso também. Significa que estará pronta quando os dias mais difíceis chegarem”, disse ela.
“E se você é sensível, se a crítica te parte ao meio, isso não é fraqueza, é empatia. Na verdade, todas as características que você acredita serem defeitos se tornarão suas forças. Elas te darão um tipo diferente de poder e te tornarão um líder que o mundo — com toda a sua turbulência — talvez esteja justamente precisando”, concluiu.
6) Boa liderança é saber ouvir bem
Quando era voluntária no telemarketing do partido aos 18 anos, Ardern precisava ligar para contatos em uma planilha antiga do Partido Trabalhista para recrutar voluntários. A maioria desligava. Alguns eram hostis. Mas ela optou por ouvir.
“Com cada pessoa, eu escutava como respondiam e tentava iniciar uma conversa: ‘como você acha que vai ser a eleição? O que poderia mudar o jogo?’”
7) Você não precisa ser o mais barulhento para liderar
Durante seus anos na oposição, Ardern frequentemente ouvia que não era “dura” o suficiente para a política. Alguns a chamavam de “superficial” e até de “pônei de exibição.” Mas ela não adotou o arquétipo agressivo e barulhento da liderança.
“Eu nunca seria esse tipo de líder, e não queria tentar ser. Se a única forma de marcar pontos na oposição era atacando e destruindo pessoas, então talvez eu fosse medíocre. Eu não queria escolher entre ser uma boa política e ser o que eu considerava uma boa pessoa. Então aceitei as críticas.”
8) Deixe seus valores desafiarem seu grupo
Criada na fé mórmon, Ardern apoiava uniões civis e a descriminalização do trabalho sexual, mesmo que sua igreja fosse contra.
“Minhas decisões políticas diferiam da posição da Igreja Mórmon? Com certeza. Mas, mais uma vez, ignorei esse conflito de valores, guardando-o na mesma caixa metafórica onde coloquei todas as outras coisas que eu não conseguia conciliar.”
9) Fracasso não significa parar, significa crescer
Na sua terceira tentativa de vencer uma eleição parlamentar, Ardern perdeu novamente. O resultado nacional do Partido Trabalhista foi o pior em quase um século, e ela só retornou ao Parlamento pela lista do partido.
Mas ela seguiu em frente. “Chorei até dormir. E depois voltei ao trabalho.”
10) Saiba a hora de recuar, mesmo do topo
A liderança teve um custo para Ardern. Em sua autobiografia, ela revela um susto que teve com um alarme falso de câncer, mas que serviu de alerta. A pressão constante da liderança começou a afetar sua saúde, paciência e perspectiva.
“Eu sabia que o próximo desafio, fosse qual fosse, estava logo à frente. E quando chegasse, eu precisaria estar com o tanque cheio, com reservas de sobra. E eu não tinha certeza se ainda tinha isso. Era hora de dizer em voz alta o que, até então, só era um pensamento na minha cabeça.”
Por: Thâmara Kaoru


